Blog do Beto Kieling

Crônicas, dicas e etcétera e tal

Enquanto elas se aprontam

mulherAs mulheres, quando reunidas, falam de assuntos diversos, óbvio. E também se perguntam sobre as conversas que alimentam os encontros exclusivamente masculinos. Posso testemunhar, porém, que as conversas deles são mais singelas do que elas podem imaginar. Entre os assuntos mais usuais estão os pneus do carro, o novo craque da dupla Gre-nal, as condições da lavoura de soja, a barriga do Ronaldo Nazário, e assim por diante.

E as mulheres? Ah, claro que as mulheres também aparecem nas conversas deles, porém não no sentido que elas imaginam. Só para mencionar um fato, assisti a um desses debates envolvendo o tempo que as mulheres gastam para se arrumar para sair, seja para um cinema, seja para um jantar. A cena é clássica. O marido (ou companheiro) espera olhando para o relógio. A mulher está no quarto ou no banheiro. E o tempo passando…

Pois nas conversas masculinas, surgem também as sugestões envolvendo este problema recorrente. O que fazer enquanto a mulher se arruma? Veja só algumas dessas dicas (a partir de agora a leitura deste texto fica reservada aos homens, por favor):

Aprender a tocar violão, coisa que você vem adiando desde a adolescência. Pintar a parede da cozinha, que está descascando. Ensinar o Totó a fazer xixi somente sobre sobre a tábua, e não mais pela casa toda. Rever todos os filmes do 007. Formatar o seu computador e reinstalar todos os programas. Aprender a falar espanhol (é muito útil). Assistir à trilogia “O Senhor dos Anéis”, incluindo os extras.

Tá legal, é tudo brincadeirinha. Na verdade, enquanto espera por ela você pode ler um livro, o que é importante, educativo e charmoso. E aceite a minha sugestão. Leia “O Tempo e o Vento”, do Veríssimo. Com isso, no jantar, você terá muito assunto….

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Não há o que não inventem. O deputado federal gaúcho Giovani Cherini quer aprovar, na Câmara, seu projeto que cria a “biblioterapia” (Projeto de Lei 4186/12). Pelo projeto, o Sistema Único de Saúde (SUS) fornecerá livros selecionados para leitura por parte dos pacientes internados em hospitais da rede.

O deputado garante que a leitura dos livros autorizados amenizará em até 80% os sintomas das doenças enfrentadas pelos pacientes (dependendo da doença, é claro). Confesso que não tenho conhecimento profundo da matéria, embora saiba que o livro é a melhor companhia quando a pessoa está convalescendo. Mas ainda acredito que a biblioterapia cairia muito bem para aquela turma do Big Brother. Pelos menos enquanto eles estivessem lendo nós não ouviríamos tanta bobagem.

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As rádios e jornais da região, em janeiro de cada ano, sempre repetem uma notícia que, se tem um lado digno de louvor, tem outro que é profundamente lamentável.

Estou falando do grupo de pescadores e veranistas que se unem para fazer uma “faxina” nas margens do rio Uruguai, local que recebe milhares de pessoas nesta época do ano. Em seus barcos, percorrem uma vasta região recolhendo o lixo lançado às águas por pessoas que, imagino eu, vivem em outro planeta tal o desrespeito que demonstram para com o nosso planetinha.

Pois o lixo vai de garrafas de plástico a geladeiras. E a lista inclui também equipamentos eletrônicos, ferro velho, fraldas descartáveis, embalagens de vidro, entulhos de construções, peças de automóveis, livros do Paulo Coelho e discos da dupla Mano e Matheus. Acredite, é tudo verdade.

Vamos ficar, porém, no mérito das pessoas que, com seu esforço braçal, prestam um valioso serviço ao rio e aos seus visitantes. Elas provam que sempre há esperança. 

22/01/2013 Posted by | Crônica Semanal | Deixe um comentário

De tudo um pouco

bbbEstamos no início do ano e uma cena se repete. Vem aí mais um Big Brother, aquele programa de TV em que os homens tentam provar que são homens e as mulheres tentam um contrato com a Playboy, mostrando seus inúmeros talentos (o que não inclui o uso do cérebro, evidentemente). Quando nos referimos a “talentos” estamos falando de atributos físicos, os quais não precisamos mencionar aqui.

Uma multidão incalculável vai assistir ao programa e pagar por ligações telefônicas (o que é, no mínimo, irracional). Por outro lado, muita gente vai falar mal do programa (com alguma razão, concordemos).

Mas para aqueles que criticam a exposição íntima das personagens da TV, fica uma perguntinha provocativa: se eles são tão idiotas, por que você se expõe tanto no Facebook?

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A onda do politicamente correto já teve bons motivos para existir. Atacou o preconceito, tornou público o racismo, o bullyng, a homofobia, defendeu a liberdade pessoal, e assim por diante. Tudo muito justo. Sem esses debates ainda teríamos por aí gente vivendo no início do século passado, desses que atacam a política de cotas e acham que mulher é um bicho que “quanto mais eu passo o laço mais ela me adora”. Lembrou daquela música medíocre chamada “Ajoelha e chora”?

Pois bem. Ocorre que o exagero levou o conceito de politicamente correto à chatice. Como toda ideia que é exaustivamente repetida, perde a sua força e seu significado.

 Foi o que aconteceu dias atrás quando, num discurso, a presidenta Dilma falou em pessoas “portadoras de deficiência”. Quase foi vaiada, e teve de corrigir-se mencionando então as pessoas “com deficiência”. A palavra “portador” é tida como incorreta para o caso.

 Dias atrás sobrou pra mim. Fui criticado porque, ao falar do ser humano, usei a palavra “homem”, numa frase do tipo “todo homem é mortal”. As feministas não gostaram.

 São dois singelos exemplos de que tudo tem limites. Da mesma forma como são ingênuos os comentários de que a partir de agora as pessoas “normais” é que serão discriminadas. Segundo estes, o preconceito agora estaria se voltando contra os brancos, os sem deficiência física, os heterossexuais, etc. Uma grande bobagem, evidentemente.

 Mas o exagero do politicamente correto já gerou piadas. O negrinho do pastoreio, por exemplo, virou o “afrodescendentezinho do pastoreio”. E o saci, que também é o símbolo da torcida colorada, tem uma perna só e fuma cachimbo, agora é visto como afrodescendente, dependente químico e pessoa com necessidades especiais.

 No Brasil, não poderia ser diferente. Aqui tudo é motivo para piada.

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 Em Porto Alegre o Ministério Público do Trabalho ajuizou ação civil pública pleiteando a anulação das atuais concessões de táxi, levando em conta a regulação da lei federal nº 8.987. Também pretende a proibição da transferência da concessão entre particulares, que resultaram em cartéis e redes de veículos nas mãos de poucos, e a realização de novas licitações.

Aqui em Santa Rosa, na contramão de tudo isso, estão pretendendo transformar as concessões em patrimônio hereditário. Muito engraçadinho, não é?

 

11/01/2013 Posted by | Crônica Semanal | 1 Comentário

Simpatias e piracema

anonovoE o Geraldo explicava, muito sério:

“Comecei o novo ano cumprindo à risca todos os rituais. Comi três romãs e doze uvas grandes. Depois, comi três colheres de sopa de lentilha. Enchi os bolsos com sal grosso. Brindei com duas taças de espumante. Comi carne de porco, pois é um animal que fuça para a frente. E ainda pulei sete ondas do Pessegueirinho. Umas ondinhas, é claro, mas pulei. À meia-noite, pulei várias vezes somente sobre o pé direito e ainda bebi algumas cervejas. Mais tarde, para garantir fartura, comi nozes, avelãs e castanhas. Resultado disso tudo: entrei o ano novo sentado no vaso do banheiro. Por pouco não estraguei a roupa branca que devia me dar sorte…”

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A natureza sempre nos surpreende. E para nós, que vivemos perto de diversos rios que formam a bacia do Uruguai, não faltam motivos para espanto. O fenômeno chamado piracema é um deles.

A palavra tem origem na língua tupi, e significa “saída dos peixes”, ou “movimento dos peixes”. Nem precisamos explicar muito. Você já sabe que a piracema é o período em que os peixes nadam contra a correnteza para a desova e reprodução.

Pois o esforço empreendido por eles é espantoso. Um dourado, por exemplo, chega a nada 600 quilômetros para procriar. Os cardumes formam um espetáculo notável, embora estudos recentes indiquem que, em alguns locais do Brasil, até mesmo os cardumes estão desaparecendo. Infelizmente, há quem veja nisso apenas uma oportunidade de pesca fácil, predatória e irresponsável.

Vale lembrar que há leis severas proibindo este tipo de ataque à natureza, com multas pesadas e responsabilização criminal dos pescadores que, desatentos ou não, infrinjam a legislação.

Mas todos sabemos que essa pesca persiste. E só existe uma palavra para caracterizar esse tipo de pesca em cardumes que se deslocam para a procriação. O nome disso é covardia.

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A Receita Federal divulgou recentemente um número que pode nos levar a diversas conclusões. No ano de 2002, havia 22.418 estrangeiros vivendo regularmente no Brasil. Ou seja, pessoas não nascidas no Brasil e que tinham autorização legal para permanecer aqui indefinidamente, portavam o seu CPF e prestavam contas regularmente ao Governo brasileiro.  

Pois bem. Nove anos depois, em 2011, o número de estrangeiros legais no país havia saltado para 1.466.584. Presume-se que, ao término do ano passado, o número já tenha ultrapassado 1,5 milhão pois o movimento persiste.  

Para entender o fenômeno, duas explicações podem animar o debate. A primeira delas diz respeito à crise econômica que atinge os país ditos “ocidentais”, isto é, Europa e Américas, que se debatem em dificuldades. Nem é preciso esmiuçar muito as informações a respeito. Basta ler as manchetes dos jornais para verificar o quanto está difícil ultrapassar a crise.

A segunda explicação é o momento sócio-econômico experimentado pelo Brasil, que é visto pelo mundo como um país com desenvolvimento consistente. Além dos estrangeiros, também muitos brasileiros estão voltando em busca de trabalho constante e melhor renda. O que se espera é que não seja uma bolha, e sim um caminho permanente.

Os números servem para um boa conversa na hora do chimarrão, não é mesmo?

03/01/2013 Posted by | Crônica Semanal | Deixe um comentário

Coisas da cidade

saudadesDeste 2012 que agora finda não levo boas lembranças. Ao longo de todo este ano convivi muito com a morte. Não a minha, que poderia ter acontecido com o fim do mundo (que não veio). Porém, perdi três integrantes da minha família e uma meia dúzia de amigos, aqueles a quem a gente dedica um carinho especial.

Portanto, se de alguma coisa me despeço é da tristeza. O ano, decididamente, não foi nada gratificante. Xô, 2012!

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Na tradicional fotografia que, em cada dezembro, registra a alegre turma da Empresa Jornalística Noroeste, uma ausência. Aldi Brandão não estava lá. Foi um desses amigos a que me referi. A foto é um registro histórico, sem dúvida, mas a ausência de Aldi a deixou imperfeita.

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O programa Ciência Sem Fronteiras, lançado há poucos meses por Dilma Rouseff, já tem contemplados aqui na região. São jovens que estão comemorando uma oportunidade antes sequer imaginada.  

Só para lembrar. O programa enviará 101 mil jovens estudantes para estudos em diversos países do mundo, com ajuda financeira do Governo. As áreas prioritárias são ciências, tecnologias e, é claro, inovações para o mercado brasileiro dos próximos anos.

Este é o tipo de programa cujos resultados não podem ser medidos de imediato. Mas é garantia de integração do país com o mundo moderno. É certeza de que deixamos para trás o Brasil arcaico e atrasado. O número de beneficiados, então, é simplesmente espetacular. Algo nunca visto.

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Revista Afinal, que circula na cidade e região, está comemorando seis anos de boa informação. Quando a imprensa é feita com cuidado, respeito e profundidade, o que devemos fazer é bater palmas sonoramente!

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Continua avançando, no Congresso, o projeto do deputado Osmar Terra que prevê maior rigor para traficantes de drogas, com aumento da pena de prisão de 5 para 8 anos.

Em contrapartida, também prevê a internação compulsória dos viciados, aspecto muito polêmico. O ano que se inicia deverá ser decisivo para essa problemática nacional.

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O velho prédio do Forum, na Avenida Rio Branco (que muito tempo atrás também foi escola), foi “reinaugurado”, com instalação de diversos serviços do governo estadual que atendem diretamente a população.

De quebra, uma homenagem bem merecida. O prédio recebeu o nome de “Centro Administrativo Alvírio José Scalco”, em homenagem ao ex-prefeito, um baixinho bom de briga que, entre outros trabalhos, foi o pioneiro em asfaltamento e em tubulações de esgoto na cidade.

A homenagem emocionou familiares e velhos amigos, que dele sentem saudades desde 2002.

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Prepare-se. Neste feriado de final de ano as emissoras de TV já têm sua grade de programação pronta. Os assuntos serão estes: Corinthians, Ronaldo Gordo, Corinthians, Roberto Carlos, Xuxa, Corinthians e… Corinthians.

Quer apostar? Pois então, fica a minha sugestão: desligue já!

 

27/12/2012 Posted by | Crônica Semanal | 1 Comentário

Churrasco em família

Fim de ano é sempre assim. No Natal ou no Ano Novo é tempo de reunir a família e fazer um churrasco. Ah, que maravilha o churrasco em família! E toda família que se preze tem um assador, ou alguém que se denomina “o melhor churrasqueiro do quarteirão”, acompanhado por aqueles que ficam em volta dando palpites. Churrasco sem palpite não é churrasco.

A primeira batalha é atear fogo. Aliás, a primeira questão é decidir entre carvão ou lenha. Feita a escolha, vem a seguir a maneira de ater fogo. Primeiramente, a pergunta à esposa:

“Querida, onde estão os jornais velhos?”

“Mete álcool 92 graus, e tá acabado”, opina o sobrinho.

“Nada disso, o melhor é fazer um canudo com jornal. De preferência usando aqueles classificados que ninguém lê.”

“Espera, essa folha, não. Aqui tem uma oferta de Chevete 94 que eu tenho que verificar. O resto pode botar no fogo”.

Pouco depois, com algum esforço, o fogo está aceso.

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O próximo passo é a caipirinha. Não é preciso comentar que em volta do fogo estão os homens; as esposas estão lá adiante preparando a salada. O máximo de ajuda delas acontece na hora da caipirinha: “Querida, onde está o limão?” Claro, homem nunca sabe onde estão os limões. Aliás, nunca sabe onde estão as coisas dentro de casa.

“Pouco limão e muito gelo. O resto preenche com a cachaça”.

“Nada disso, o melhor é esmagar o limão com a cachaça. O gelo é a última coisa a ser acrescentada”.

“Eu tenho lá em casa uma cachaça de Porto Xavier que deixa essa caipira de vocês no chinelo…”

“Ah, é? E por que não trouxe? Só porque a tua cachaça ficaria fora do racha das despesas, é?”.

Mas, enfim, sai a caipirinha que alcança os seus objetivos, isto é, deixar todo mundo alegre. Afinal, qual outro motivo para existir a caipirinha?  Lá pelas tantas chega o tio retardatário, que invade a festa dando tapinhas nas costas de todo mundo e já se aproxima dos homens com ar crítico:

“Esse fogo está muito baixo! Põe mais carvão nisso!”

Sente o ar de reprovação, mas não desiste.

“Quem fez essa caipirinha? Isso aqui está um xarope!”

E logo a seguir:

“Essa picanha vai virar carvão, e esse lombinho está cru”.

O churrasqueiro (e todos os seus assessores) olham para o intrometido com reprovação, em silêncio. Tentam mudar de assunto, puxando futebol e pescaria. O tio, porém, continua falando mal da carne, até desconfiar que suas opiniões não serão aceitas.

“Tá legal, vou lá conversar com as mulheres. Aqui ninguém me ouve! Mas depois não digam que não avisei. A picanha vai virar carvão…”.

O tio se afasta, e logo chega um pequerrucho:

“Pai, a linguicinha tá pronta?”

Claro, não pode faltar filho ou sobrinho em volta, pedindo picadinho. É o momento deles. Querem linguiça assada, lascas da picanha e refri. E só.

E quando chega a hora de servir, mais uma vez o homem não sabe onde estão os utensílios, e recorre novamente à mulher:

“Querida, onde está a travessa para servir o churrasco?”

E ela, já irritada:

“E eu sei? Pergunta lá no Posto Ipiranga…”

25/12/2012 Posted by | Crônica Semanal | Deixe um comentário

O fim está próximo

fimdomundoTenho amigos que acreditam na história do fim do mundo no dia 21, próxima sexta-feira. E não adianta discutir. Acreditam nisso, e pronto. Tem gente pra tudo nesse mundo velho.

 Duas semanas atrás estive na Guatemala, terra dos maias. Conversando com uma gentil guia de um museu histórico, recebi a explicação de que não se trata de fim do mundo, e sim o fim de um ciclo. Ela não soube me explicar com detalhes quais seriam estes ciclos, mas eu protestei com veemência: “Me preparei tanto para o fim do mundo, e vocês vêm me dizer que era brincadeirinha? Agora exijo que acabe mesmo! Afinal, quem vai pagar as contas que fiz com pagamento parcelado até 2015? Que diabos! Já não podemos confiar nos maias como antigamente!…”

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Há quem diga que devemos fazer provisão de comida, água, velas e outras coisas úteis para o período de trevas que acontecerá na semana que vem.

Eu, como sou incrédulo, fico me perguntando: se o mundo acabar, eu serei o sobrevivente? Deus me livre!

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Mas há aqueles mais crédulos, que garantem: Deus está desiludido com o mundo que criou (e com tudo que aconteceu por aqui) e decidiu começar tudo de novo. Passa a régua, acaba com essa bagunça e vamos começar do zero!

Até que não é uma má idéia. Por exemplo, para começar a história com o Adão e a Eva pelados, a praia do Pinho, lá em Santa Catarina, é uma boa sugestão.

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E se isso tudo fosse verdade, como seriam as manchetes da imprensa mundial? Eis uma grande curiosidade. Algumas delas nós podemos imaginar:

Zero Hora: “O Rio Grande vai acabar”.

Revista Caras: “Xuxa aguarda o fim do mundo na ilha de Caras”.

Revista Veja: “Planalto é o responsável pelo fim do mundo”.

Superinteressante: “Tudo o que você precisa saber sobre o fim do mundo”.

Jornal O Estado de São Paulo: “PT e CUT podem estar envolvidos no fim do mundo”.

Jornal do Brasil: “Nem o fim do mundo segura o Fluminense”.

Tribuna de Alagoas: “Delegado suspeita que o fim do mundo pode ser crime passional envolvendo a família Collor”.

Correio Braziliense: “Deputado de Brasília afirma que fim do mundo é inconstitucional”.

Revista Playboy: “Conheça a musa do fim do mundo! Um verdadeiro apocalipse sexual…”

Jornal Nacional, da TV Globo: “Previsão do tempo para este final de semana não é nada boa.”

Jornal Noroeste: “Vicini garante que o fim do mundo não impedirá o quarto mandato”.

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Sou mesmo incrédulo. Até por que seria uma grande bobagem o mundo acabar numa sexta-feira. Numa segunda até seria compreensível.

Por isso, caro leitor, mantenha a calma nos próximos dias. Nada de trágico acontecerá. Vamos nos encontrar aqui na próxima semana. Quer dizer, eu acho que vamos…

 

14/12/2012 Posted by | Crônica Semanal | 1 Comentário

Pesquisas e internet

internetVale a pena dar uma olhada nas pesquisas divulgadas no site da Lab Pesquisas (labpesquisas.com.br), empresa de Santa Rosa que avalia as preferências e os hábitos do consumidor da região, além de outros assuntos também interessantes.

Por exemplo: para solucionar o embrulho da Av. Expedicionário Weber, os moradores da cidade apontam três prioridades. A primeira delas é conclusão da extensão da Avenida América. A segunda, a criação de ciclovia fora do leito da avenida. E a terceira é a diminuição do canteiro central.

Pensando bem, e sem querer bancar o gabola, estas três sugestões já foram objeto de comentários aqui nesta coluna, em diversas oportunidades. Embora as três possibilidades sejam viáveis e úteis, parece que tem gente fugindo do assunto, ou melhor, se fazendo de avestruz para ver no que vai dar. Enquanto isso, a avenida continua confusa e perigosa (e bota perigosa nisso!).

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Outra pesquisa interessante diz respeito ao uso da internet (a nossa querida rede mundial de computadores). Veja que na faixa etária até 24 anos o uso corrente da internet chega a 84,62%. Tomando como referência todas as faixas etárias, o uso é de 70%, o que não deixa de ser animador.

A internet já mudou o mundo, e mudou a forma como nós vemos o mundo. É claro que muitos ainda resistem, tratando o assunto como um mero modismo. Enganam-se redondamente. O mundo transformou-se com uma rapidez espantosa graças à internet. Eu disse que o percentual é animador porque revela que a população da cidade já acolheu esta nova realidade, e deseja mais. Mais eficiência dos provedores, mais velocidade de conexão, mais conteúdo, e assim por diante.

Comparativamente com os dados da internet no Brasil, estamos muito bem. No país, o uso corrente da rede é feito por 48% da população. Por sermos um país populoso, este número nos coloca em 5º lugar no mundo em quantidade de usuários. Porém, em percentual, estamos bem longe disso, em 62º lugar.

A rede de computadores é mesmo assombrosa, e tem disseminado o conhecimento e o lazer como jamais havíamos visto. E não para de crescer. No mundo já existem 174 milhões de sites e, a cada dia, 500 mil pessoas entram na internet pela primeira vez.

O exemplo mais visível dessa evolução é a Coreia do Sul, hoje considerada uma das potências econômicas do mundo. Ao investir pesadamente em educação, aquele país decidiu que todos (eu falei “todos” mesmo) os habitantes do país devem ter acesso pleno à internet. O governo de lá até tentou conter esta ânsia por conhecimento através de uma lei, mas não teve sucesso. Os coreanos continuam conectados, e com a internet mais rápida do mundo. O desenvolvimento do país é prova de que isso funciona.

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Não é preciso dizer que os estudantes, atualmente, têm como base de pesquisa a rede mundial de computadores. E o velho “tema de casa” hoje vem impresso em folhas A4. Quando as fontes são confiáveis, nada há de errado nisso. Afinal, hoje a garotada digita sem nunca ter feito um cursinho de datilografia. Além disso, a caligrafia foi sepultada já há algum tempo.

Mas o Joãozinho (sempre ele) descobriu nisso uma belíssima desculpa:

“Eu juro, professora! Um vírus devorou o meu dever de casa!…” 

 

04/12/2012 Posted by | Crônica Semanal | Deixe um comentário

Ciclistas

bicicletaEu pretendia começar esse texto com uma frase do tipo “nós, ciclistas da cidade…”, mas desisti. Acho que ficaria um pouco pedante, pois estaria me incluindo, sem qualquer autorização, naquele grupo de pessoas que realmente são apaixonadas por bicicletas.

Mas, na verdade, já me tornei praticante desse esporte que desperta paixões e que, muitas vezes, chega a ser viciante. Pois bem. Os ciclistas da cidade, e de centenas de cidades brasileiras, estão exigindo ciclovias, ou, pelo menos, a inclusão de ciclovias nos projetos de desenvolvimento urbanístico.

As razões são muitas, mas a motivação atual é o número crescente e assustador de automóveis nas vias urbanas. Algum tempo atrás ninguém teria essa preocupação. As ruas eram confortáveis e o convívio dos veículos automotores com as bicicletas era tranquilo. Hoje a realidade mudou.

Talvez por isso é que o número de ciclistas na cidade vem aumentando visivelmente, de modo especial nos meses iluminados da primavera e verão.

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Ciclistas são, de um modo geral, pessoas de fácil convívio. Coabitam espaços exíguos com automóveis, camionetas e caminhões, sem qualquer preconceito.

Ciclistas não poluem. Não consomem combustíveis fósseis. Ocupam pouco espaço e sequer fazem ruído. Ciclistas são saudáveis. São divertidos e alegres. Normalmente não têm pressa. À noite, parece vagalumes deslizando pela cidade.

Além disso, aliviam o trânsito intenso e frenético. Você bem sabe que, em breve, estaremos todos à beira do colapso nervoso, com nossos automóveis disputando espaços, acotovelando-se, buzinando, forçando passagens. Algo para enlouquecer qualquer um.

Para os ciclistas, isso tudo é mesmo uma loucura. É tão mais divertido e desestressante pedalar que o nervosismo dos motoristas parece um cenário de manicômio.

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O tema “ciclistas e ciclovias” tem aparecido nas manchetes em todo o país. As capitais brasileiras, mais pressionadas pela quantidade absurda de veículos, têm debatido o assunto com frequencia cada vez maior.

Em Porto Alegre, por exemplo, já está em testes o sistema de “empréstimo” de bicicletas, permitindo o deslocamento rápido de pessoas entre alguns pontos importantes da cidade. A experiência acompanha casos semelhantes que acontecem na Europa.

Berlim, na Alemanha, já é conhecida como a capital mundial das bicicletas, seja pela quantidade de “magrelas” em circulação, seja pelas extensão de suas ciclovias. Já há moradores da capital alemã que simplesmente aposentaram o automóvel.

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Você pode colaborar. Respeite o ciclista nas vias da cidade, e exija do seu prefeito a prioridade para construção de ciclovias. É uma forma de participação ecológica prática e objetiva, com ótimos resultados para o futuro.

            E o melhor momento é quando a cidade está se desenvolvendo, quando a expansão física e o aproveitamento dos espaços está sendo planejado. Depois que a cidade estiver atulhada de prédios, nada mais poderá ser feito. Estaremos convivendo com um cenário deprimente, caracterizado por asfalto, concreto e muito calor. Você, certamente, não quer isso. 

04/12/2012 Posted by | Crônica Semanal | Deixe um comentário

Preocupações com o verão

A proximidade do verão traz uma velha preocupação que não tem nada a ver com as altas temperaturas que costumeiramente fritam o nosso cérebro. Estou falando da dengue, a doença terrível transmitida por aquele mosquito que tem nome de pirâmide egípcia.

Volta a preocupação e o alerta que deve ser ouvido por todos. Águas paradas não movem moinhos, mas trazem doenças. E não adianta, mais tarde, dar explicação parecida com a daquela senhora que foi ao médico com sintomas da doença de Chagas. Após o exame, o médico diagnosticou:

“A senhora foi mordida por um barbeiro”.

E a mulher, espantada, comentou:

“Desgraçado! Ele me jurou que era empresário da construção civil…”

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Não é porque a feira do livro já passou que você vai ficar em casa, jogado no sofá e assistindo televisão, certo?

Como se não bastassem todos os discursos em favor do valor da leitura, nesta semana foi publicada pesquisa médica que vale mais do que todos eles. Aliás, é surpreendente como ouço pessoas que nunca leem nada louvando os livros. É como um clichê. O livro é bom, nossos filhos devem ler. Mas os pais, ai, ai…

Mas a novidade a que me referi é a seguinte. Os neurologistas revelaram o que eles já sabiam. A leitura é o mais eficiente remédio para a preservação do cérebro. O ato de ler (que parece tão simples) envolve a decodificação dupla, isto é, primeiro observamos os sinais gráficos, depois juntamos todos eles (letras formam palavras, certo?) e “traduzimos” para o significado que a cultura nos deu. A seguir, vem a interpretação do parágrafo e de todo o texto. Resumindo a conversa: a leitura é o processo mais complexo que o nosso cérebro conhece.

Esse “exercício” constante que a leitura proporciona é o que faz o cérebro manter-se ativo, criando milhões de novas conexões (as sinapses). Um santo remédio contra a deterioração cerebral, receita excelente para o esquecimento e outros males que atingem nossa cabeça. E agora, você vai continuar na frente da TV?

Aliás, o verão é uma ótima oportunidade para a leitura. Os dias são mais longos, os feriados são frequentes e as férias geralmente acontecem nesses meses quentes. Fica, pois, a sugestão. Corra para os livros e exercite seu cérebro.

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Tanorexia, você sabe o que é isso? Pois bem. Eu também não sabia. A palavra designa um desvio psicológico de pessoas que têm compulsão pelo bronzeamento. Certamente você conhece pessoas tanoréxicas, especialmente mulheres jovens. São pessoas que, nunca satisfeitas com o próprio bronzeado, arriscam-se em exposições prolongadas ao sol.

Vale lembrar que o verão exige protetor solar (pergunte pro Pedro Bial). Ainda mais que o Rio Grande do Sul está na região onde a camada de ozônio é muito tênue. Mas um belo bronzeado não significa, necessariamente, tanorexia. Certa feita uma senhora passeava na praia e viu uma loira com um bronzeado belíssimo. Curiosa, aproximou-se dela e perguntou:

“Por favor, amiga, qual é o seu protetor?”

A outra respondeu prontamente:

“São Francisco de Assis”.  

15/11/2012 Posted by | Crônica Semanal | Deixe um comentário

Números, números, números

Em termos matemáticos, há bastante diferença entre um corrupto que roubou R$ 1 milhão e o sujeito que trocou o seu voto por 1.000 tijolos ou pelo cascalho na entrada da sua propriedade rural. Mas só matematicamente. Em termos éticos, os dois se equiparam. Por isso mesmo, quando ouço alguém vociferando contra o mensalão, sempre me vem a pergunta: “Isso é indignação ética ou apenas frustração matemática?”

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Se você beber uma cerveja por dia, totalizando 31.025 garrafas, o montante pago será, sem dúvida, considerável. Se tomarmos como referência o valor de R$ 5,00 por unidade, você terá pago para o governo o montante de R$ 86.870,00 de impostos. É muito dinheiro para apreciar uma gelada.

Mas em compensação você já estará com 85 anos!

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Há quem reclame do próprio aniversário. Tenho um amigo, bastante pessimista, que diz não comemorar mais o seu aniversário depois de ter completado 40 anos.

Não posso concordar com ele. Fazer aniversário é algo bom e saudável. As estatísticas demonstram que as pessoas que vivem mais são justamente aquelas que fazem mais aniversários.

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Em novembro, é sempre notícia o pagamento da segunda parcela do 13º salário. São muitos bilhões de reais que passam a circular. A imprensa adora a expressão “valores injetados na economia”. É quase um clichê.

Na verdade, é dinheiro que já está na economia. O que acontece é que ele muda de mãos (para muitas mãos) e passa a circular com mais rapidez, pois é usado para pagar dívidas ou para as compras do final do ano.

Nesse novembro de 2012, em particular, existe algo diferente acontecendo. Com a redução dos juros reais (incrível constatar isso no Brasil, não é?) muitos trabalhadores estão aproveitando o dinheirinho extra para saldar dívidas antigas e onerosas. É fácil verificar isso. Se você contraiu uma dívida algum tempo atrás, certamente está pagando juros muito altos.

É uma dica para um momento único da economia brasileira. Se os juros nunca foram tão baixos, é legítimo que todos os que recebem o 13º aproveitem para se livrar do peso do passado que solapa parte do bendito salário mensal.

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Péssimo aluno de matemática, Dudu atormentava os pais que já não sabiam o que fazer com o filho folgado. Mas uma vizinha sugeriu à mãe do Dudu que o levasse a um colégio de freiras, cujo método de ensino de matemática era muito elogiado.

Já no primeiro dia de aula, Dudu voltou para casa e mergulhou nos estudos. Foi assim durante todo o mês. Dudu estudava com afinco.  

No dia em que trouxe o boletim, a mãe quase desmaiou de alegria. Dudu ostentava nota 10 em matemática! A mãe abraçou o filho e perguntou as razões do milagre. Seria a disciplina da escola? Os livros? As freiras? Dudu respondeu negativamente e explicou:

“No primeiro dia de aula, quando entrei na sala e vi aquele cara pregado no sinal de mais, eu percebi que elas não estavam brincando!”

15/11/2012 Posted by | Crônica Semanal | Deixe um comentário