Blog do Beto Kieling

Crônicas, dicas e etcétera e tal

Gerundismo cansa

gerundioUm comercial de TV, que vem sendo veiculado há algumas semanas, tira uma onda com um modismo linguístico chamado “gerundismo”. A propaganda é de uma cerveja, e o narrador, em off, diz mais ou menos isso: “O senhor, que vai estar azarando as gatinhas, vai estar levando pesco-tapas dos namorados das gatinhas, vai estar sacaneando os convidados-malas, vai estar entupindo os convidados com pão de alho…”

Certamente você já lembrou. A propaganda faz graça com um costume vocabular recente, que virou mania e agride os nossos ouvidos.

Essa irritante repetição de “vai estar” é o que ouvimos quando atendemos ligação de algum “call-center”, por exemplo. De imediato vem a pergunta: “O senhor pode estar respondendo algumas perguntas?”. Ou então: “Vou estar providenciando o seu pedido”. “Vou estar transferindo sua ligação…”.

Acredito que as pessoas não percebem que estão cometendo um vício de linguagem. Dias atrás, estive numa palestra onde a palestrante (no caso, uma professora) conseguiu irritar a platéia com a sistemática repetição de frases desse tipo. Acho até que algumas pessoas acreditam que o modismo torna a sua fala mais refinada, o que é um evidente equívoco.

A explicação mais provável é que isso veio a partir de uma tradução literal do inglês, onde esse tipo de expressão sempre existiu. Mas no português é novidade, um modismo que contaminou desde telefonistas e secretárias até altos executivos. E não se surpreenda ao entrar num táxi e ouvir: “O senhor vai estar me dizendo aonde devo ir e em qual rua vou estar entrando”. Salte do táxi, imediatamente.

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ciclsta montanhaJeferson Furtado, artista que já tem diversas obras espalhadas pela cidade (entre elas aquela da rótula do Taffarel, lembra?), é também um ciclista fanático.

Neste momento ele está em viagem para o Pacífico, no litoral do Chile. Melhor esclarecendo. Ele está viajando para o Pacífico em sua bicicleta, o que torna a viagem particularmente inusitada e interessante.

Nessa viagem, Jeferson leva na bagagem as cinzas do pai, o saudoso Jairo Guarani Furtado, com destino à cidade argentina onde viveu Ernesto Guevara, o “Chê”, por quem Jairo tinha grande admiração. Desta vez, pois, Jeferson uniu a aventura e o gesto sentimental. Na volta, terá muito para nos contar. 

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07/04/2013 Posted by | Crônica Semanal | Deixe um comentário

Lembro bem

cristoA Sexta-feira Santa da minha infância tinha um significado especial. Além das celebrações religiosas, que marcavam toda a semana, havia a sexta-feira para lembrar a morte de Jesus. Era um dia de silêncio, a criançada sob a vigilância dos adultos para que a algazarra que marcava os outros dias não acontecesse. O combinado era que, até às três da tarde, haveria um recolhimento contrito. Naquela hora, lembrávamos do sofrimento de Cristo, com alguma compaixão. A compaixão possível para nossos conhecimento elementares de religiosidade.

Depois, estávamos liberados para o futebol e a bagunça.

Ficava, portanto, em nossos corações, a história da fundação do cristianismo, de forma indelével. Mas havia, ainda, a promessa de ressurreição, que para nós vinha em forma de ovos de chocolate, bolachas pintadas, pirulitos, gomas de mascar e até um churrasquinho da “parentaia”. Eta ressurreição boa!

Aliás, o peixe da sexta-feira santa era, invariavelmente, uma lata de sardinhas. Não havia oferta de peixes, e os oferecidos em mercado eram caríssimos.

Mas nas nossas cabeças de garotos restavam perguntas cujas respostas não recebemos até hoje. Por que o símbolo da Páscoa é um coelho se ele não põe ovos? Mesmo que fosse capaz dessa façanha, ele conseguiria botar 6 bilhões de ovos todo ano? Por que podemos comer peixe, se peixe também é carne? As crianças do Nordeste também devem jejuar? Não seria muito melhor se, no lugar de Cristo, tivessem crucificado o coelho?

Pois é. Na infância, a semana santa tem significados que nos acompanham pelos tempos afora.  

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Tradicionalmente, no Brasil, a quaresma coincide com a divulgação da Campanha da Fraternidade, um interessante projeto católico que, todo ano, debate algum tema importante para a sociedade.

Em 2013, o tema é “Fraternidade e juventude”, um tema abrangente, que pode provocar reflexões e debates infindáveis, mas extremamente necessário num país com quase 200 milhões de habitantes. Desse total, os considerados jovens são mais de 80 milhões. Uma massa humana superior à população da maioria dos países do mundo.

O tema, portanto, é atual mas também é permanente. Debater a juventude é programar o futuro, não é?

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O anunciado projeto de duplicação da RS-344, no entorno da cidade, já suscitou um problema que vem preocupando muita gente. O que fazer com o porco do trevo do frigorífico?

Penso que devemos dar um destino nobre ao simpático porquinho. Eu sugiro um novo monumento, um novo pedestal, em um local adequado, pois consta que o projeto de engenharia prevê uma elevada naquele cruzamento. Confesso que não sei o que o projeto pretende fazer com ele.

Uma enquete até seria útil. Ou um plebiscito, sei lá. A população poderia decidir o destino da pequena estátua, que já virou símbolo. Brincadeirinha, eu sei. Mas já virou tema de conversa séria nas esquinas da cidade. A unanimidade é pela preservação do porquinho. Já tenho até um slogan para a campanha: “Salve o porco, que ele merece!”. Espero que você, caro leitor, seja um dos apoiadores. Afinal, é hora de retribuir tudo o que ele, o porco, já proporcionou à economia regional. E tenho dito.

28/03/2013 Posted by | Crônica Semanal | Deixe um comentário

Motoboys e outras figuras

MotobouyA normatização da profissão de motoboy já existe. O que falta é colocá-la em prática. Alguns deles já estão até fazendo cursos para melhor desempenhar suas funções. Isso é ótimo. Afinal, é uma profissão como qualquer outra, e um certo grau de profissionalismo cai muito bem.

Fico até imaginando que um bom período das aulas deve ser dedicado a dois temas: velocidade e ultrapassagens. Por estas bandas, condutor de motocicleta não sabe ultrapassar e velocímetro é uma pecinha luminosa que só existe nos outros veículos.

Está bem, eu sei que estou generalizando. Mas no trânsito da cidade não há dúvida nenhuma. O grande perigo são as motocicletas. E o que é pior: eles (motoqueiros ou motociclistas, você escolhe) são as vítimas mais frequentes.

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Na gíria bem humorada do mundo corporativo, motoboy tem função pomposa. Ele é o “especialista em logística de documentos”.

No trânsito, aliás, existem outras funções fundamentais. O taxista é o  “distribuidor de recursos humanos”. E o cobrador do ônibus é o “técnico contábil de transporte de massa”. São títulos para zoar as empresas que escolhem títulos esquisitos para os cargos na ingênua ilusão de que isso dá poder e legitimidade ao seu  detentor. No futebol, certa feita um jogador, cujo time lutava contra o resultado adverso no jogo, gritou para o garoto ao lado do campo:

“Depressa com a bola, gandula!”

E o guri, sem pressa nenhuma, explicou:

“Gandula, coisa nenhuma! Aqui eu sou o “coordenador do fluxo de artigos esportivos”. E devolveu a bola. Lentamente.

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pratoNem parece que estamos vivendo 2013 e já estamos entrando na Semana Santa, período que já foi mais religioso e contrito, mas ainda tem sua aura. É uma semana diferente. Mas já foi, é claro, muito diferente do que é hoje. 

Conheci famílias que se reuniam no início da semana para uma conversa séria. Esta será uma semana de jejum, jejum completo! Sim, todos concordavam, será uma semana diferente. Sem festas ou bailes. O rádio, se estiver ligado, será baixinho. Sem gritarias, todos admitiam.

Pois bem, a partir de então, a mãe buscava na gaveta do armário seu caderno de receitas a fim de que, especialmente a partir da quarta-feira, a carne de boi  desaparecesse da mesa familiar. E com isso vinha uma ameaça: comer carne poderia causar tumores, dores de cabeça, nó nas tripas, e assim por diante. Algumas pessoas mais pecadoras poderiam simplesmente explodir.

Mas muitas famílias ainda seguem o ritual nos dias de hoje. O livro de receitas sai do armário e vai para algum lugar nobre da cozinha. Afinal, eliminar a carne não significa passar fome. O livro surge, então, como a salvação para aqueles dias que ameaçavam ser de abstinência e sofrimento.

A partir daí, para alegria geral, embora o respeitoso silêncio desses dias, aparecem maravilhosos bolos de chuva, sopas de legumes, massas (incontáveis pratos de massas e molhos), peixes assados, recheados, fritos, gratinados. Também tem frango grelhado, frango assado, frango a passarinha, etc. E depois, geléias,  doces, suspiros, compotas e frutas cristalizadas. O cardápio se renova, se multiplica, se expande milagrosamente. É o jejum, dizem.

Algumas famílias até convidam os parentes para jejuarem em conjunto. E a despedida é bem clara:

“Então fica combinado, compadre. No ano que vem o jejum será lá na minha casa”.

28/03/2013 Posted by | Crônica Semanal | Deixe um comentário

A fumaça da chaminé

papaÉ até curioso que, numa época de comunicações instantâneas e planetárias, fiquemos todos à espera de um sinal de fumaça da chaminé do Vaticano. Milhares de pessoas se aglomeraram na praça de São Pedro, as televisões de prontidão, os jornais fotografando. Tudo por causa de uma chaminé!

Este é mais um dos simbolismos criados pelo cristianismo. A Igreja Católica está cheia de simbolismos e rituais, que vão desde os paramentos até a própria cruz, seu maior símbolo. E tem também a fumaça da chaminé e a fumaça do incenso, o que não deixa de ser um pro problema para os cristãos alérgicos… Para quem estuda as religiões, esta é a grande força do catolicismo, que se consolidou ao longo dos séculos. Símbolos e rituais atuam na mente humana com um vigor que poucos conseguem explicar, mas que tem surtido um efeito espetacular. A doutrina cristã construiu a civilização que conhecemos.

Se é a melhor ou a pior, isto é outra história, claro.  

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Piada velha. No ônibus, o sujeito um tanto embriagado lê um jornal. Ao seu lado, um padre. A certa altura, o sujeito pergunta:

“Meu amigo, o que é artrite?”

O padre, irritado, responde:

“É uma doença causada pelo excesso de álcool”.

Mas logo se arrepende da sua rispidez e resolve puxar conversa.

“Mas há quanto tempo o senhor está com a doença?”

“Eu? Eu não tenho nada. O jornal aqui tá dizendo que quem tem é o Papa”.

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Li esta semana que no Vaticano existem dois fornos. O primeiro, fabricado em 1938, é usado para queimar as cédulas de votação. O segundo é para produzir a fumaça que desperta tanta curiosidade, a fumaça branca ou preta.

Acredito que, quando não ocorrem conclaves, os fornos são usados para um churrasquinho. E sendo o papa um argentino, duvido que não irá puxar um banco para fazer uma picanha ou uma costela. Os italianos, de agora em diante não se preocuparão com a cor da fumaça, mas com o cheiro.

“Dio Santo, estão fazendo churrasco outra vez!…”

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Pois é, tchê. Agora vamos ter que arquivar aquela velha anedota que dizia que Judas era castelhano. Na Santa Ceia, Jesus teria dito que um dos presentes iria traí-lo, e Judas perguntou: “Acaso serei yo, Señor?”

A piada fez muito sucesso tempos atrás, por conta da rivalidade Brasil-Argentina.

Mas não precisamos nos preocupar com isso. O novo Papa terá bastante trabalho no Vaticano, por conta da crise da Igreja. E na Argentina, com as diabruras da Cristina Kirchner e os pernas-de-pau do Boca Júniors. Isso sem falar nas dificuldades econômicas intermináveis que os hermanos vêm suportando.

E, cá entre nós, com tantos problemas pela frente, a escolha de um Papa já idoso tem riscos. Ele precisará de muito churrasco e chimarrão, além de uma boas doses diárias de Biotônico Fontoura.

28/03/2013 Posted by | Crônica Semanal | Deixe um comentário

Perguntas

O Papa Bento XVI renunciou. A Nice Richter renunciou. Só o Renan Calheiros não renuncia, veja só.

O Musicanto está outra vez acéfalo. E também em nova crise. Isso não é nenhuma novidade. Nós temos a tendência natural de imaginar que o evento (ou a entidade) deva ser algo sólido, permanente, imutável. Mas crises, especialmente quando envolvem temas culturais, podem ser benéficas. Seja para mudar rumos, seja para provocar reflexões.

Os desentendimentos pessoais e políticos que estão por trás da crise atual não podem ser tão grandes que impeçam o debate sobre os rumos do Musicanto. E uma das questões que deverão ser respondidas, num futuro próximo, é a seguinte: Santa Rosa deseja mesmo continuar realizando o festival?

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Conversa de esquina:

O Chávez morreu”.

Nossa! Coitadinhos do Kico e da Chiquinha…”

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Aliás, falando em Chávez, seu erro maior foi estimular os antagonismos sociais. Talvez tenha sido uma estratégia eleitoral, sei lá, mas o fato é que isso dividiu a Venezuela.

Por outro lado, utilizar o dinheiro do petróleo para melhorar as condições de vida da população pobre foi o seu grande mérito. A Venezuela é rica, mas, por incrível que pareça, nunca teve políticas sociais dignas. O que faziam com tanto dinheiro antes de Chávez? A resposta parece óbvia, não é?

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E por falar em riqueza, a ONG britânica Oxfam divulgou que as 100 pessoas mais ricas do mundo faturaram, em 2012, a mixaria de 240 bilhões de dólares.

Com esse dinheiro, daria para resolver a fome do mundo umas três vezes. Dá o que pensar, certo?

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Noticiado esta semana o arrombamento de uma livraria no centro da cidade. A propósito, arrombamentos a estabelecimentos comerciais têm se tornado corriqueiros, o que deixa a suspeita de que os gatunos andam muito faceiros em Santa Rosa.

Mas a notícia da invasão da livraria dava conta de que os proprietários, pelo menos num primeiro momento, não sabiam quais os objetos furtados, e se entre eles haveria algo de grande valor.

Pois fiquei matutando a respeito. Tratando-se de uma livraria, presume-se que existiam livros. E se não foi constatada a falta de dinheiro ou objetos valiosos, a conclusão a que cheguei é bastante lógica. Os malandros levaram livros para ler no final de semana! Alguém duvida?

Seria mesmo inusitado o diálogo dos ladrões após o roubo:

“O que você conseguiu?”

“Um Érico Veríssimo, dois Philip Roth e um Saramago”.

“Cara, você se saiu melhor do que eu, que consegui só um Paulo Coelho e dois Jorge Amado, e ainda assim de segunda mão…”

07/03/2013 Posted by | Crônica Semanal | Deixe um comentário

De tudo um pouco

bicicletaVeja que notícia interessante. O governo do Uruguai, nosso vizinho, lançou a campanha “Armas pela Vida”, diante da constatação do aumento do número de homicídios naquele país. Agora, o cidadão troca aquela arma clandestina por um bicicleta ou por um microcomputador de baixo custo. A estimativa é de que existem por lá 500 mil armas ilegais, e que o programa irá substituir a violência pela saúde (no caso da bicicleta) ou pela inserção digital (no caso dos computadores).

Solução inteligente, não é?

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Falando em violência, um foragido da justiça paulista foi preso em Santa Catarina por causa de um erro de português. Isso mesmo. O bandido portava documentos falsos e foi detido numa barreira da Polícia Rodoviária Federal. Tudo parecia certinho até que o policial observou com a atenção a Carteira de Habilitação do malandro e uma autorização para transitar com o veículo, fornecida supostamente pelo Detran. Na autorização constava a palavra “permição” em vez de “permissão”.

O policial decidiu verificar a validade do documento e encontrou o nome do ilustre motorista entre os foragidos da Justiça. Fica a lição: um erro de português pode dar cadeia…

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A Coca-Cola, como já disse alguém, é os EUA engarrafados. Um ícone do nosso mundo. A marca mais conhecida e mais vendida. Um símbolo sedutor em qualquer canto do planeta. Pois a fabricante do refrigerante bolou novos textos para suas latinhas. Primeiramente, com nomes de pessoas. Agora, com nomes de cidades, fazendo marketing e também uma homenagem. 

Fiquei pensando no assunto. Em alguns casos, a combinação da frase publicitária com o nome da cidade vira poesia pura. Por exemplo: “Quanto mais Alvorada melhor”. “Quanto mais Feliz melhor”. São combinações ótimas. Mas em termos ecológicos a combinação “Quanto mais Derrubadas melhor” não fica nada legal. Também não soa bem “Quanto mais Formigueiro melhor”.

Há, porém, frases que não aparecerão nas latinhas do refrigerante, por motivos óbvios. “Quanto mais Anta Gorda melhor”. “Quanto mais Jaguarão melhor”. “Quanto mais Muçum melhor”. “Quanto mais Tapera melhor”. Enfim, a homenagem publicitária terá de fazer opções e esquecer algumas cidades gaúchas…

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O santa-rosense Arnaldo Buss, que há tempos vive em Porto Alegre, inaugurou a Galeria Espaço Cultural Duque, no centro histórico da capital (Rua Duque de Caixas, 649). O empreendimento dedica-se às artes plásticas gaúchas, e, no andar térreo, mantém um café. Além de movimentar a vida cultural da capital, Arnaldo espera que o local se torne um local de encontro dos santa-rosenses que circulam por Porto Alegre.

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Na Europa, a venda de carne de cavalo, sem qualquer alerta ao consumidor, virou caso de polícia. Culturalmente, rejeitamos esse alimento, mas há muitos países em que a carne de cavalo e de jumento são consumidas diariamente. O Brasil, por exemplo, exporta carne de jegue para consumo em países asiáticos.

De qualquer maneira, de agora em diante tome cuidado ao pedir um “bife a cavalo”.

07/03/2013 Posted by | Crônica Semanal | Deixe um comentário

Dos livros e da esperança

leituraEm tempos de voltas às aulas, é sempre bom lembrar que livros são os formadores por excelência. Nada os supera. Por isso mesmo, aqui vão notícias recentes que devolvem a certeza de que livros continuam importantes. Veja só.

Em Cáceres, no Mato Grosso, uma rede de concessionárias de veículos e máquinas pesadas (conhecida como Grupo Cometa) instituiu um projeto inovador. Os funcionários que lêem um livro por mês recebem, ao final do ano, o 14º salário. Os livros formam pequenas bibliotecas dentro das filiais da empresa, e tratam de diversos assuntos, mas se destacam as obras sobre administração, vendas, etc.

Um dos fundadores da empresa garante: a qualificação dos empregados aumentou, e as vendas ainda mais.

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Em Passo Fundo, um papeleiro arrecadou milhares de livros (especialmente em seu carrinho de lixo) e montou uma biblioteca que está fazendo enorme sucesso. O catador de lixo letrado foi tema de reportagem da RBS recentemente.

Isso faz lembrar uma velha máxima: é no lixo que encontramos as pérolas.

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No Piauí, uma experiência promovida pela Secretaria Estadual de Justiça e Cidadania está chamando a atenção. O programa de estudos prevê a frequência às aulas por detentos, que diminuem em três dias sua pena para cada 12 horas de estudos.

No final do ano passado, um preso obteve o 1º lugar no Enem e já solicitou ao juiz de execução penal autorização para frequentar o curso de Análise e desenvolvimento de Sistemas. Entre as mulheres que cumprem pena, o índice de adesão ao projeto chega a 49%. O governo daquele Estado já estuda a ampliação do projeto para outros estabelecimentos prisionais, pois chegou à conclusão de que os livros podem ressocializar os presos.  

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A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) realizou pesquisa em 15 países para descobrir os efeitos da educação sobre a qualidade de vida das pessoas.

A conclusão agora é definitiva. Pessoas que têm maior escolaridade são mais felizes, participam mais da vida política de seu país e têm expectativa de vida superior. O grau de satisfação pessoal com a própria vida é mais elevado. Em média, quem tem curso superior tende a viver 8 anos mais do que quem não tem esta formação escolar.

As pesquisas serão levadas ao conhecimento dos governos integrantes da Organização, solicitando maiores investimentos em educação. Tomara que os estudos não envelheçam nas gavetas da burocracia.

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Falar de livros, para muita gente, é assunto tedioso. Mas nesses tempos de redes sociais e comunicação mundial, há quem insista no valor da leitura. Aquela leitura silenciosa, que promove o diálogo do nosso cérebro com os bons pensadores.

A celeridade da vida atual, que muitas vezes justifica a conversa de “não tenho tempo”, infelizmente tem reduzido essa preocupação básica. Por isso, em tempos de férias, é bom lembrar a famosa frase de Bill Gates, o cara que criou a Microsoft:

“Meus filhos terão computadores, sim, mas antes terão livros. Sem livros, sem leitura, os nossos filhos serão incapazes de escrever — inclusive a sua própria história.” 

21/02/2013 Posted by | Crônica Semanal | Deixe um comentário

Do carnaval que não existiu

mijoesA novidade deste carnaval foi a campanha, nas grandes cidades, contra os mijões. São os caras que saem nos blocos e acabam fazendo xixi em qualquer parede ou poste, por conta do fantástico volume de líquidos ingerido. Além da campanha publicitária, a polícia deteve um número incontável de mijões, inclusive alguns turistas estrangeiros, o que prova que a má-educação não é privilégio nosso. Imagine a cena:

“Mãos ao alto! Você está detido!”

“Qual a razão, seu guarda?”

“Está fazendo xixi em local proibido”.

“Tudo bem, seu guarda, então vamos fazer um acordo. Eu ergo as mãos para o alto e o senhor segura o meu bráulio, tá legal?”

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E no caminho para Santo Cristo, durante o carnaval, foram apreendidos um facão e três facas em um automóvel. A polícia não deu maiores explicações sobre o fato. Ficou claro, porém, que não se tratava de foliões. A presença das armas no carro, no calor intenso do carnaval, só têm uma explicação. O facão é para cortar a melancia, e as facas para tirar as sementes. E quem duvida?

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Já vai longe o tempo em que as esposas cobriam os olhos de seus maridos durante a transmissão do carnaval carioca, justamente quando eles sacudiam o tédio ao verem alguma mulher com trajes mínimos diante das câmeras. Isso depois da meia noite, quando as crianças já estavam na cama.

Hoje, a mulata Globeleza aparece pelada já no Jornal do Almoço…

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Pois o carnaval não aconteceu em Santa Rosa. Acredito que a decisão foi apenas conveniente. Não em razão do respeito à tragédia de Santa Maria, mas porque a coisa estava mesmo pouco organizada por aqui. A justificativa foi o luto, que certamente não existiu. Poderiam até mesmo justificar de forma mais realista, explicando a falta de dinheiro, a troca recente da administração, o pouco tempo disponível, etc. A gente entenderia.

Mas a história do luto, decididamente, ninguém engoliu.

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A notícia mais interessante do carnaval veio da cidade de Panambi. Lá não houve festa simplesmente porque o município não tem feriado no Carnaval! Isso deveria ser notícia mundial. A única cidade brasileira sem carnaval. É mesmo inacreditável, embora a gente saiba que os alemães de lá pouco tem a ver com a festa momesca.

Como todos sabemos, a terça-feira do Carnaval acontece 47 dias antes da Páscoa, e tem relação direta com o calendário religioso. É também conhecida como “terça-feira gorda”, pois representa um momento de festa e comilança, já que antecede a quaresma, período em que os cristãos jejuam e fazem penitência.

A justificativa, lá em Panambi, é que a Câmara de Vereadores teria que “decretar” o feriado de Carnaval.

Precisamos ter cuidado. Desconfio que em breve Panambi irá declarar sua separação do Brasil e adotar o alemão como língua padrão, e a bermuda com suspensório e o chapeuzinho verde como traje oficial…

18/02/2013 Posted by | Crônica Semanal | Deixe um comentário

De tudo um pouco

diaboEm entrevista esta semana, a ministra Cármen Lúcia, presidente do TSE, pronunciou uma frase que merece uma reflexão: “É temerário demonizar a prática da função pública”. Ela estava se referindo à idéia corrente hoje, no Brasil, no sentido de atribuir um caráter demoníaco às pessoas que exercem funções públicas.

Isso é mesmo perigoso. Estamos cansados de saber que a área pública é muito atraente para raposas, ratos, doninhas, serpentes e outros animais peçonhentos e perigosos, que vêem no dinheiro público a oportunidade de fazer fortuna.

Mas também é certo que não podemos condenar de forma prévia e rasteira aqueles que, eleitos ou não, fazem da função pública uma atividade digna e socialmente importante. Se continuarmos nesse discurso generalizante, é fácil perceber o que está por acontecer. Os honestos se recolherão às suas atividades particulares, e as hienas tomarão conta do galinheiro, digo, dos cofres públicos.

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Demorou, mas está regularizada a situação dos médicos legistas em Santa Rosa, que atendem uma grande região. A novela é antiga. A existência de apenas um profissional da área obrigava alguns defuntos a peregrinar por outras cidades em busca do seu derradeiro atendimento. Um passeio sem nenhum atrativo, obviamente.

Respeito muito os legistas. Afinal, eles exercem uma atividade profissional que eu jamais teria condições de exercer. No entanto, temos que admitir que eles têm uma vantagem em relação a outras profissões. Eu nunca vi um legista levar serviço para casa após o expediente…    

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Os nossos veranistas de fim de semana não vão à praia. Vão ao rio Uruguai para curtir a natureza, os pernilongos e a cerveja argentina. Nada de errado nisso. A praia de mar está tão distante, e relaxar é preciso.

Mas há uma novidade nesses passeios: a polícia rodoviária. Não me entenda mal. A polícia rodoviária não curte a cerveja argentina, e sim um aparelhinho moderno e certeiro chamado “bafômetro”. Isso tem modificado, de forma muito sensata, o comportamento dos frequentadores dos balneários da fronteira. Já se tornou corriqueiro as famílias escolherem o motorista que deverá permanecer sóbrio durante o churrasco, a fim de que o retorno não se transforme num problemão. Essa é a verdadeira malandragem do bem.

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Tempos atrás, aqui neste espaço, comentávamos o péssimo hábito dos motoristas da cidade que desconhecem o uso das sinaleiras do próprio automóvel.

O fenômeno continua. Basta você prestar atenção ao transitar pelas ruas mais movimentadas. Alguns convertem à esquerda ou direita, nas esquinas, sem qualquer aviso. Outros saem do leito da rua para estacionar, também sem sinalizar.

Acho que as escolas de direção deveriam dedicar um capítulo especial ao uso das sinalizações de advertência. Nossos motoristas parecem não saber qual o motivo da existência daquele cabinho metálico ao lado da direção do seu carro.

Isso lembra a história do sujeito que bateu o veículo na lateral do carro à sua frente. O policial acorreu e pediu explicações. O sujeito, muito sério, ponderou:

“Aconteceu o seguinte, Sr. policial. A senhora do carro à minha frente fazia sinal de que iria dobrar à esquerda. E não é que dobrou mesmo?!”.

 

08/02/2013 Posted by | Crônica Semanal | Deixe um comentário

104 vezes

santamairaNão há como fugir do tema. Parece que a tragédia se apossou dos nossos pensamentos desde a madrugada do último domingo. De tal modo nos envolvemos que passamos a sofrer todos juntos, como se a dor tivesse um poder sobrenatural de alcançar a todos, em qualquer lugar e ao mesmo tempo.

Pois cada um daqueles jovens universitários mortos no incêndio em Santa Maria tem uma história particular, comovente e profundamente triste. Talvez porque não entendemos, e não aceitamos, seja a juventude interrompida. Nada explica e nada consola a interrupção de vidas tão tenras.  

Pessoalmente, fiquei perplexo, abobalhado, com a história de um telefone celular onde constavam 104 ligações não atendidas. Na identificação daquela insistente chamada estava escrito: “mãe”. Somente isso. Nem precisava mais. Ficou o registro insuportável da busca pelo filho. 104 tentativas. 104 silêncios. A busca desesperada madrugada adentro, a apreensão e o medo. Por mais que nos esforcemos, fica impossível imaginar o descompasso daquele coração de mãe esperando o retorno da ligação. O retorno que não veio, e jamais virá.

Essa jornada de tormento, vivida por aquela mulher na madrugada de domingo, é a mais difícil, a mais dura espera que o ser humano pode experimentar. Insistiu 104 vezes. Você já imaginou o que significa fazer 104 chamadas para alguém que você ama, e não obter resposta? A voz que ela queria ouvir já tinha se calado. Decididamente, acho que nós jamais conseguiremos imaginar a imensidão da sua dor.

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A dor dos pais de tantos jovens só pode ser descrita em verso, como fez Chico Buarque na inesquecível canção “Pedaço de Mim”:

“Oh, pedaço de mim! Oh, metade arrancada de mim! Leva o vulto teu, que a saudade é o revés de um parto, a saudade é arrumar o quarto do filho que já morreu…”

04/02/2013 Posted by | Crônica Semanal | Deixe um comentário