Blog do Beto Kieling

Crônicas, dicas e etcétera e tal

Motoboys e outras figuras

MotobouyA normatização da profissão de motoboy já existe. O que falta é colocá-la em prática. Alguns deles já estão até fazendo cursos para melhor desempenhar suas funções. Isso é ótimo. Afinal, é uma profissão como qualquer outra, e um certo grau de profissionalismo cai muito bem.

Fico até imaginando que um bom período das aulas deve ser dedicado a dois temas: velocidade e ultrapassagens. Por estas bandas, condutor de motocicleta não sabe ultrapassar e velocímetro é uma pecinha luminosa que só existe nos outros veículos.

Está bem, eu sei que estou generalizando. Mas no trânsito da cidade não há dúvida nenhuma. O grande perigo são as motocicletas. E o que é pior: eles (motoqueiros ou motociclistas, você escolhe) são as vítimas mais frequentes.

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Na gíria bem humorada do mundo corporativo, motoboy tem função pomposa. Ele é o “especialista em logística de documentos”.

No trânsito, aliás, existem outras funções fundamentais. O taxista é o  “distribuidor de recursos humanos”. E o cobrador do ônibus é o “técnico contábil de transporte de massa”. São títulos para zoar as empresas que escolhem títulos esquisitos para os cargos na ingênua ilusão de que isso dá poder e legitimidade ao seu  detentor. No futebol, certa feita um jogador, cujo time lutava contra o resultado adverso no jogo, gritou para o garoto ao lado do campo:

“Depressa com a bola, gandula!”

E o guri, sem pressa nenhuma, explicou:

“Gandula, coisa nenhuma! Aqui eu sou o “coordenador do fluxo de artigos esportivos”. E devolveu a bola. Lentamente.

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pratoNem parece que estamos vivendo 2013 e já estamos entrando na Semana Santa, período que já foi mais religioso e contrito, mas ainda tem sua aura. É uma semana diferente. Mas já foi, é claro, muito diferente do que é hoje. 

Conheci famílias que se reuniam no início da semana para uma conversa séria. Esta será uma semana de jejum, jejum completo! Sim, todos concordavam, será uma semana diferente. Sem festas ou bailes. O rádio, se estiver ligado, será baixinho. Sem gritarias, todos admitiam.

Pois bem, a partir de então, a mãe buscava na gaveta do armário seu caderno de receitas a fim de que, especialmente a partir da quarta-feira, a carne de boi  desaparecesse da mesa familiar. E com isso vinha uma ameaça: comer carne poderia causar tumores, dores de cabeça, nó nas tripas, e assim por diante. Algumas pessoas mais pecadoras poderiam simplesmente explodir.

Mas muitas famílias ainda seguem o ritual nos dias de hoje. O livro de receitas sai do armário e vai para algum lugar nobre da cozinha. Afinal, eliminar a carne não significa passar fome. O livro surge, então, como a salvação para aqueles dias que ameaçavam ser de abstinência e sofrimento.

A partir daí, para alegria geral, embora o respeitoso silêncio desses dias, aparecem maravilhosos bolos de chuva, sopas de legumes, massas (incontáveis pratos de massas e molhos), peixes assados, recheados, fritos, gratinados. Também tem frango grelhado, frango assado, frango a passarinha, etc. E depois, geléias,  doces, suspiros, compotas e frutas cristalizadas. O cardápio se renova, se multiplica, se expande milagrosamente. É o jejum, dizem.

Algumas famílias até convidam os parentes para jejuarem em conjunto. E a despedida é bem clara:

“Então fica combinado, compadre. No ano que vem o jejum será lá na minha casa”.

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28/03/2013 - Posted by | Crônica Semanal

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