Blog do Beto Kieling

Crônicas, dicas e etcétera e tal

Lembro bem

cristoA Sexta-feira Santa da minha infância tinha um significado especial. Além das celebrações religiosas, que marcavam toda a semana, havia a sexta-feira para lembrar a morte de Jesus. Era um dia de silêncio, a criançada sob a vigilância dos adultos para que a algazarra que marcava os outros dias não acontecesse. O combinado era que, até às três da tarde, haveria um recolhimento contrito. Naquela hora, lembrávamos do sofrimento de Cristo, com alguma compaixão. A compaixão possível para nossos conhecimento elementares de religiosidade.

Depois, estávamos liberados para o futebol e a bagunça.

Ficava, portanto, em nossos corações, a história da fundação do cristianismo, de forma indelével. Mas havia, ainda, a promessa de ressurreição, que para nós vinha em forma de ovos de chocolate, bolachas pintadas, pirulitos, gomas de mascar e até um churrasquinho da “parentaia”. Eta ressurreição boa!

Aliás, o peixe da sexta-feira santa era, invariavelmente, uma lata de sardinhas. Não havia oferta de peixes, e os oferecidos em mercado eram caríssimos.

Mas nas nossas cabeças de garotos restavam perguntas cujas respostas não recebemos até hoje. Por que o símbolo da Páscoa é um coelho se ele não põe ovos? Mesmo que fosse capaz dessa façanha, ele conseguiria botar 6 bilhões de ovos todo ano? Por que podemos comer peixe, se peixe também é carne? As crianças do Nordeste também devem jejuar? Não seria muito melhor se, no lugar de Cristo, tivessem crucificado o coelho?

Pois é. Na infância, a semana santa tem significados que nos acompanham pelos tempos afora.  

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Tradicionalmente, no Brasil, a quaresma coincide com a divulgação da Campanha da Fraternidade, um interessante projeto católico que, todo ano, debate algum tema importante para a sociedade.

Em 2013, o tema é “Fraternidade e juventude”, um tema abrangente, que pode provocar reflexões e debates infindáveis, mas extremamente necessário num país com quase 200 milhões de habitantes. Desse total, os considerados jovens são mais de 80 milhões. Uma massa humana superior à população da maioria dos países do mundo.

O tema, portanto, é atual mas também é permanente. Debater a juventude é programar o futuro, não é?

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O anunciado projeto de duplicação da RS-344, no entorno da cidade, já suscitou um problema que vem preocupando muita gente. O que fazer com o porco do trevo do frigorífico?

Penso que devemos dar um destino nobre ao simpático porquinho. Eu sugiro um novo monumento, um novo pedestal, em um local adequado, pois consta que o projeto de engenharia prevê uma elevada naquele cruzamento. Confesso que não sei o que o projeto pretende fazer com ele.

Uma enquete até seria útil. Ou um plebiscito, sei lá. A população poderia decidir o destino da pequena estátua, que já virou símbolo. Brincadeirinha, eu sei. Mas já virou tema de conversa séria nas esquinas da cidade. A unanimidade é pela preservação do porquinho. Já tenho até um slogan para a campanha: “Salve o porco, que ele merece!”. Espero que você, caro leitor, seja um dos apoiadores. Afinal, é hora de retribuir tudo o que ele, o porco, já proporcionou à economia regional. E tenho dito.

28/03/2013 Posted by | Crônica Semanal | Deixe um comentário

Motoboys e outras figuras

MotobouyA normatização da profissão de motoboy já existe. O que falta é colocá-la em prática. Alguns deles já estão até fazendo cursos para melhor desempenhar suas funções. Isso é ótimo. Afinal, é uma profissão como qualquer outra, e um certo grau de profissionalismo cai muito bem.

Fico até imaginando que um bom período das aulas deve ser dedicado a dois temas: velocidade e ultrapassagens. Por estas bandas, condutor de motocicleta não sabe ultrapassar e velocímetro é uma pecinha luminosa que só existe nos outros veículos.

Está bem, eu sei que estou generalizando. Mas no trânsito da cidade não há dúvida nenhuma. O grande perigo são as motocicletas. E o que é pior: eles (motoqueiros ou motociclistas, você escolhe) são as vítimas mais frequentes.

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Na gíria bem humorada do mundo corporativo, motoboy tem função pomposa. Ele é o “especialista em logística de documentos”.

No trânsito, aliás, existem outras funções fundamentais. O taxista é o  “distribuidor de recursos humanos”. E o cobrador do ônibus é o “técnico contábil de transporte de massa”. São títulos para zoar as empresas que escolhem títulos esquisitos para os cargos na ingênua ilusão de que isso dá poder e legitimidade ao seu  detentor. No futebol, certa feita um jogador, cujo time lutava contra o resultado adverso no jogo, gritou para o garoto ao lado do campo:

“Depressa com a bola, gandula!”

E o guri, sem pressa nenhuma, explicou:

“Gandula, coisa nenhuma! Aqui eu sou o “coordenador do fluxo de artigos esportivos”. E devolveu a bola. Lentamente.

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pratoNem parece que estamos vivendo 2013 e já estamos entrando na Semana Santa, período que já foi mais religioso e contrito, mas ainda tem sua aura. É uma semana diferente. Mas já foi, é claro, muito diferente do que é hoje. 

Conheci famílias que se reuniam no início da semana para uma conversa séria. Esta será uma semana de jejum, jejum completo! Sim, todos concordavam, será uma semana diferente. Sem festas ou bailes. O rádio, se estiver ligado, será baixinho. Sem gritarias, todos admitiam.

Pois bem, a partir de então, a mãe buscava na gaveta do armário seu caderno de receitas a fim de que, especialmente a partir da quarta-feira, a carne de boi  desaparecesse da mesa familiar. E com isso vinha uma ameaça: comer carne poderia causar tumores, dores de cabeça, nó nas tripas, e assim por diante. Algumas pessoas mais pecadoras poderiam simplesmente explodir.

Mas muitas famílias ainda seguem o ritual nos dias de hoje. O livro de receitas sai do armário e vai para algum lugar nobre da cozinha. Afinal, eliminar a carne não significa passar fome. O livro surge, então, como a salvação para aqueles dias que ameaçavam ser de abstinência e sofrimento.

A partir daí, para alegria geral, embora o respeitoso silêncio desses dias, aparecem maravilhosos bolos de chuva, sopas de legumes, massas (incontáveis pratos de massas e molhos), peixes assados, recheados, fritos, gratinados. Também tem frango grelhado, frango assado, frango a passarinha, etc. E depois, geléias,  doces, suspiros, compotas e frutas cristalizadas. O cardápio se renova, se multiplica, se expande milagrosamente. É o jejum, dizem.

Algumas famílias até convidam os parentes para jejuarem em conjunto. E a despedida é bem clara:

“Então fica combinado, compadre. No ano que vem o jejum será lá na minha casa”.

28/03/2013 Posted by | Crônica Semanal | Deixe um comentário

A fumaça da chaminé

papaÉ até curioso que, numa época de comunicações instantâneas e planetárias, fiquemos todos à espera de um sinal de fumaça da chaminé do Vaticano. Milhares de pessoas se aglomeraram na praça de São Pedro, as televisões de prontidão, os jornais fotografando. Tudo por causa de uma chaminé!

Este é mais um dos simbolismos criados pelo cristianismo. A Igreja Católica está cheia de simbolismos e rituais, que vão desde os paramentos até a própria cruz, seu maior símbolo. E tem também a fumaça da chaminé e a fumaça do incenso, o que não deixa de ser um pro problema para os cristãos alérgicos… Para quem estuda as religiões, esta é a grande força do catolicismo, que se consolidou ao longo dos séculos. Símbolos e rituais atuam na mente humana com um vigor que poucos conseguem explicar, mas que tem surtido um efeito espetacular. A doutrina cristã construiu a civilização que conhecemos.

Se é a melhor ou a pior, isto é outra história, claro.  

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Piada velha. No ônibus, o sujeito um tanto embriagado lê um jornal. Ao seu lado, um padre. A certa altura, o sujeito pergunta:

“Meu amigo, o que é artrite?”

O padre, irritado, responde:

“É uma doença causada pelo excesso de álcool”.

Mas logo se arrepende da sua rispidez e resolve puxar conversa.

“Mas há quanto tempo o senhor está com a doença?”

“Eu? Eu não tenho nada. O jornal aqui tá dizendo que quem tem é o Papa”.

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Li esta semana que no Vaticano existem dois fornos. O primeiro, fabricado em 1938, é usado para queimar as cédulas de votação. O segundo é para produzir a fumaça que desperta tanta curiosidade, a fumaça branca ou preta.

Acredito que, quando não ocorrem conclaves, os fornos são usados para um churrasquinho. E sendo o papa um argentino, duvido que não irá puxar um banco para fazer uma picanha ou uma costela. Os italianos, de agora em diante não se preocuparão com a cor da fumaça, mas com o cheiro.

“Dio Santo, estão fazendo churrasco outra vez!…”

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Pois é, tchê. Agora vamos ter que arquivar aquela velha anedota que dizia que Judas era castelhano. Na Santa Ceia, Jesus teria dito que um dos presentes iria traí-lo, e Judas perguntou: “Acaso serei yo, Señor?”

A piada fez muito sucesso tempos atrás, por conta da rivalidade Brasil-Argentina.

Mas não precisamos nos preocupar com isso. O novo Papa terá bastante trabalho no Vaticano, por conta da crise da Igreja. E na Argentina, com as diabruras da Cristina Kirchner e os pernas-de-pau do Boca Júniors. Isso sem falar nas dificuldades econômicas intermináveis que os hermanos vêm suportando.

E, cá entre nós, com tantos problemas pela frente, a escolha de um Papa já idoso tem riscos. Ele precisará de muito churrasco e chimarrão, além de uma boas doses diárias de Biotônico Fontoura.

28/03/2013 Posted by | Crônica Semanal | Deixe um comentário