Blog do Beto Kieling

Crônicas, dicas e etcétera e tal

Recall de tudo

A notícia é quase inacreditável, se não fosse bizarra. Milhares de pessoas pelo mundo afora terão de fazer “recall” de silicone. É isso mesmo. O produto de uma fábrica francesa está sendo relacionado com diversos efeitos colaterais, entre eles a possibilidade de câncer de mama. Depois das já famosas substituições de peças de automóveis, o “recall” do silicone nos remete a um futuro em que as partes do corpo humano serão substituídas com relativa facilidade.

A cirurgia, por motivos estéticos ou por pura vaidade, transforma o silicone numa espécie de sonho de consumo de quem está insatisfeito com o que a natureza lhe proporcionou. É isso o que deixa algumas mulheres com 25 anos do pescoço pra cima, e 42 do pescoço pra baixo, sem falar naquelas que, ao piscarem, erguem involuntariamente uma das pernas.

Pois, como dizíamos, só no Brasil 22 mil pessoas terão de procurar o seu médico para certificar-se sobre os riscos do produto. Mas sem pânico, por favor, pode ser que nada de grave aconteça. Pânico, mesmo, só acontece quando contemplamos aquela figura sensual e escultural, e descobrimos, depois, que o nome dela é Waldemar…

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E há poucos dias a fábrica de preservativos “Latex Blowtex” publicou nota na imprensa sobre o recolhimento de 80 mil unidades do produto que, segundo ela, não apresentam a resistência adequada. Também orientou os consumidores para entrar em contato com a fábrica, propôs a devolução do valor pago ou a reposição do produto. “Recall” de camisinhas, você já tinha visto isso?

Isso sim é provocar o pânico! Depois de usar e ver o balão estourar, adianta ligar para o fabricante e esperar a devolução do dinheiro? E o susto, quem vai indenizar o susto?

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           E o Pedrinho veio com essa: “Sabe qual a diferença entre a ambulância e o silicone? A ambulância socorre os feridos e o silicone levanta os caídos…”

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O novo ano promete muitas emoções por estas bandas, mas nenhuma delas se compara às eleições municipais, que serão o assunto de todas as rodas de conversa. Aliás, já é possível encontrar gente com os nervos à flor da pele quando se fala em eleições. Eu não entendo tanto nervosismo. Afinal, o mundo não vai acabar em dezembro de 2012?

O fato é que o nervosismo está alcançando níveis altíssimos, e se sucedem as reuniões secretas (aliás, nem tão secretas assim) entre políticos de todos os partidos, onde as cogitações são a tônica. Parece até jogo de xadrez: você imagina um lance e, de pronto, calcula os lances subseqüentes, até o nível 10 ou 20.

Imaginar vinte jogadas é coisa de mestre de xadrez. Por isso, nossos políticos ainda estão na fase de cinco jogadas. Tipo “se o candidato for esse”, poderá acontecer aquilo, e mais aquilo, e ainda aquilo… Se o partido “X” e o partido “Y” se unirem, as conseqüências podem ser esta ou aquela ou aquela outra. Se for aquela, ficaremos numa situação. Se for esta, a situação será outra.

Bem, você já entendeu. Mas o fato é que, até o momento, todos estudam o tabuleiro, mas ninguém se aventurou a mexer as peças. Todos observam. E o relógio está andando: “tic-tac-tic-tac…”. É de matar o jogador do coração. Quem joga xadrez sabe bem o que é isso.

10/01/2012 - Publicado por | Crônica Semanal

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