Muito a fazer
Ano novo sempre traz previsões e análises econômicas em nível mundial, o que é bastante lógico, especialmente depois que a globalização tornou todos interdependentes. O que está acontecendo na Alemanha ou na Itália pode repercutir no meu bolso já no próximo mês de fevereiro. Antes, isso só acontecia em tempo de guerra, e olha que naquela época até as guerras eram distantes, que também já não acontece atualmente.
Entre as análises, uma me chamou a atenção. O país mais poderoso do mundo, os EUA, continua fortíssimo, apesar de alguns problemas recentes. Mas os economistas de lá estão perplexos com uma nova realidade ainda não experimentada pelos norte-americanos. O país que se notabilizou por ser a “terra das oportunidades”, e que ainda atrai pobres do mundo todo em busca de uma vida melhor, vê seus números de equilíbrio e distribuição de renda despencarem.
Nas duas últimas décadas, a concentração de renda por lá foi assustadora. O número de miseráveis duplicou. E os que já eram muito ricos se tornaram multi-trilhionários. Dizem que cerca de 80 grupos empresariais controlam mais da metade de roda a riqueza americana.
É uma situação que nós, latino-americanos, conhecemos muito bem. O PIB (Produto Interno Bruto) dos EUA continua o maior do mundo, mas agora ele está em poucas mãos, o que derruba o grande sonho da terra do Tio Sam.
Essa informação é chocante. A nação que se tornou o baluarte do capitalismo e do consumo está se tornando um país injusto. Há quem diga que, se continuar nesse ritmo, em oito anos a distribuição de renda norte-americana será pior que a brasileira (que está melhorando, é bom lembrar).
Essa nova realidade dos gringos nos conduz a uma velha discussão. O PIB, como sabemos, é a soma da riqueza gerada por um país, a cada ano. E somente isso.
O PIB não nos diz se este país é justo. Não diz se nele as pessoas são felizes. Não diz se o trabalho é dignamente recompensado. Não diz se as crianças têm escola e comida Não diz se os idosos são respeitados. Não diz se o povo tem esperança e conta com um futuro.
O PIB dos países árabes, por exemplo, é espetacular. Já a felidade do povo, nem precisamos comentar…
O PIB, portanto, diz apenas o quanto produzimos. E só.
Por isso, a informação de que o Brasil já é a sexta economia do planeta deve ser vista com a seriedade que ela merece. Por um lado, devemos comemorar. A pujança da economia brasileira está sepultando, definitivamente, aquela impressão de que no Brasil só tínhamos florestas, carnaval e jogador de futebol. Estamos mostrando que sabemos produzir riquezas. Ou seja, trabalho também é com a gente.
Não podemos esquecer, apesar disso, que os nossos indicadores sociais ainda precisam de um bom empurrão. Qualidade da escola e nível de ensino, por exemplo. Saúde universalizada, infraestrutura de transporte e comunicações, saneamento básico para todos, renda melhor distribuída, entre outros aspectos, marcam o caminho a ser seguido.
O Brasil colonizado e submisso aos interesses internacionais precisa ser sepultado para que sejamos, efetivamente, uma das grandes nações deste século. Já não somos coitadinhos. Sabemos por onde caminhar.
Toda essa conversa só nos leva a uma conclusão. O Brasil não é mais o país do futuro. E para que sejamos uma grande nação, precisamos aprender com os erros dos outros. A começar com o que está acontecendo nos Estados Unidos.
Recall de tudo
A notícia é quase inacreditável, se não fosse bizarra. Milhares de pessoas pelo mundo afora terão de fazer “recall” de silicone. É isso mesmo. O produto de uma fábrica francesa está sendo relacionado com diversos efeitos colaterais, entre eles a possibilidade de câncer de mama. Depois das já famosas substituições de peças de automóveis, o “recall” do silicone nos remete a um futuro em que as partes do corpo humano serão substituídas com relativa facilidade.
A cirurgia, por motivos estéticos ou por pura vaidade, transforma o silicone numa espécie de sonho de consumo de quem está insatisfeito com o que a natureza lhe proporcionou. É isso o que deixa algumas mulheres com 25 anos do pescoço pra cima, e 42 do pescoço pra baixo, sem falar naquelas que, ao piscarem, erguem involuntariamente uma das pernas.
Pois, como dizíamos, só no Brasil 22 mil pessoas terão de procurar o seu médico para certificar-se sobre os riscos do produto. Mas sem pânico, por favor, pode ser que nada de grave aconteça. Pânico, mesmo, só acontece quando contemplamos aquela figura sensual e escultural, e descobrimos, depois, que o nome dela é Waldemar…
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E há poucos dias a fábrica de preservativos “Latex Blowtex” publicou nota na imprensa sobre o recolhimento de 80 mil unidades do produto que, segundo ela, não apresentam a resistência adequada. Também orientou os consumidores para entrar em contato com a fábrica, propôs a devolução do valor pago ou a reposição do produto. “Recall” de camisinhas, você já tinha visto isso?
Isso sim é provocar o pânico! Depois de usar e ver o balão estourar, adianta ligar para o fabricante e esperar a devolução do dinheiro? E o susto, quem vai indenizar o susto?
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E o Pedrinho veio com essa: “Sabe qual a diferença entre a ambulância e o silicone? A ambulância socorre os feridos e o silicone levanta os caídos…”
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O novo ano promete muitas emoções por estas bandas, mas nenhuma delas se compara às eleições municipais, que serão o assunto de todas as rodas de conversa. Aliás, já é possível encontrar gente com os nervos à flor da pele quando se fala em eleições. Eu não entendo tanto nervosismo. Afinal, o mundo não vai acabar em dezembro de 2012?
O fato é que o nervosismo está alcançando níveis altíssimos, e se sucedem as reuniões secretas (aliás, nem tão secretas assim) entre políticos de todos os partidos, onde as cogitações são a tônica. Parece até jogo de xadrez: você imagina um lance e, de pronto, calcula os lances subseqüentes, até o nível 10 ou 20.
Imaginar vinte jogadas é coisa de mestre de xadrez. Por isso, nossos políticos ainda estão na fase de cinco jogadas. Tipo “se o candidato for esse”, poderá acontecer aquilo, e mais aquilo, e ainda aquilo… Se o partido “X” e o partido “Y” se unirem, as conseqüências podem ser esta ou aquela ou aquela outra. Se for aquela, ficaremos numa situação. Se for esta, a situação será outra.
Bem, você já entendeu. Mas o fato é que, até o momento, todos estudam o tabuleiro, mas ninguém se aventurou a mexer as peças. Todos observam. E o relógio está andando: “tic-tac-tic-tac…”. É de matar o jogador do coração. Quem joga xadrez sabe bem o que é isso.