Blog do Beto Kieling

Crônicas, dicas e etcétera e tal

O fim do mundo?

 

            Sou do tempo em que Ventania, Trovoada, Ciclone e Vendaval eram apenas nomes de cavalos que disputavam corrida em cancha reta. Os animais recebiam esses nomes para ressaltar suas qualidades e assustar os adversários.
            Agora, esses nomes deixaram de lado seu sentido metafórico e se transformaram em realidade. Basta ver os estragos que o clima irritadiço vem fazendo pela região.
            Os estudiosos do clima dizem que o fenômeno El Niño provoca um encontro de ventos úmidos com frentes frias, causando esse rebuliço todo.
            Muito bem. Existe um detalhe, porém, que me deixa desconfiado. O “El Niño” não é novidade, ele sempre existiu. Mas os resultados catastróficos que estamos assistindo raramente aconteciam no passado, pelo menos não com esta freqüência.
            Na verdade, poucos arriscam suas opiniões, mas desconfio que estamos presenciando um momento de real modificação do nosso clima. Essa instabilidade não é passageira. Será permanente.  Mas esclareço que é apenas uma desconfiança. Torço para estar enganado.
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            Existe por aí uma fofoca, uma onda de boatos que vêm despertando a curiosidade e até produzindo algumas piadas. Dizem alguns arautos da tragédia que o fim do mundo acontecerá em 21 de dezembro de 2012, isto é, daqui a três anos, mais ou menos. Dizem que a previsão está num calendário das tribos maias, lá da América Central. Um planeta vagando no espaço se chocaria com a Terra, causando a destruição.
            Pois bem. Em 1899, quando o mundo entrava no século XX, chegou a ocorrer uma onda de suicídios na Europa porque muita gente acreditava que haveria uma hecatombe na virada do ano. Tudo bobagem.
            Na virada para o século XXI, houve gente se escondendo em cavernas, alguns alegando que fugiam da ira divina.
            Aliás, em toda a história humana encontramos profetas picaretas prevendo o pior. Já ouvi imbecis ameaçando com a vingança de Deus, que estaria insatisfeito com o comportamento dos seres humanos.
            Agora, querem que eu acredite que os maias, que criaram o seu calendário há mais de dois mil anos, tinham mais conhecimento que os astrônomos da atualidade. Aliás, os mais descobriram o dia do fim do mundo, mas não desconfiaram que os espanhóis iriam dizimá-los a chumbo e porretadas? Por favor! 
            Surgiu até um filme chamado “2012”, no melhor estilo cinema-catástrofe.
            Isso vende, o medo vende. O que aliás, é apenas uma repetição daquilo que bem conhecemos. De tempos em tempos aparecem “profetas” da tragédia que tem por único objetivo, é claro, arrecadar muito dinheiro. Apenas isso.
            Essa conversa se difundiu de tal forma em todo o mundo que a NASA chegou a publicar nota esclarecendo que o mundo não vai acabar. Não há nenhum corpo celeste se dirigindo à Terra. O mais perigoso está a quase 30.000 anos do nosso planeta. Acalme-se, portanto, caro leitor.
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            Se você é daqueles que desejam obter alguma vantagem com o fim do mundo, esqueça. Mantenha suas contas em dia, e evite comprar a prazo para começar a pagar a partir de janeiro de 2013. O lojista não acredita no fim do mundo.
            E, afinal, se o mundo acabar, acredita que você será o sobrevivente? 
 

12/03/2009 Publicado por betokieling | Crônica Semanal | | Sem comentários ainda

Água demais

Agitação em Santa Rosa nos próximos dias. De quinta até sábado acontece o Musicanto, lá no Parque de Exposições. E na segunda, tem início o brasileirão sub-vinte, com uma das fases sendo realizada no Estádio Denardin. Ou seja, este início de dezembro tem atrações para os mais diversos públicos. Aliás, impressiona a disposição da turma do Juventus, que, contra todas as dificuldades, busca o ressurgimento do futebol profissional na cidade. Se conseguirão, eu não sei. Mas o fato é que sem este tipo de sonhadores, o mundo não gira.
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A enchente produziu flagelados em Santa Rosa. Comparando com outras regiões do Rio Grande do Sul, podemos até dizer que os problemas aqui são menores. O número de famílias atingidas não foi tão grande, e os pequenos rios da cidade tendem a voltar ao leito com mais rapidez. Mas isso, é claro, não afasta os problemas dessas famílias, duramente castigadas, e também não esconde um velho problema nosso. Um problema que existe há décadas, e que sempre evitamos enfrentar. Estou falando do planejamento urbano. De um plano diretor sério, que seja cumprido e respeitado. Em resumo, um planejamento a longo prazo, coisa que parece de outro planeta. A ocupação de áreas de risco é sempre permitida, quando deveria ser proibida. Dá-se um jeito. São folclóricos os casos de áreas de preservação cuja ocupação irregular é incentivada em troca de alguns votos. Até a próxima tragédia, quando os responsáveis (os verdadeiros responsáveis) já não estão nos postos de governo, ou se ocultam. E quando vem a enchente, tudo vira um corre-corre de urgência para atender aos necessitados. Não, não estou falando deste ou daquele administrador. Estou falando da nossa incapacidade de planejar a cidade a longo prazo. Lembram da famosa Avenida Perimetral, tão comentada na década de 60? Se tivesse sido concretizada, nosso trânsito seria outro, a cidade seria outra. Mas foi esquecida, tratada com irresponsabilidade. A perimetral tem apenas algumas quadras, e jamais será concluída. Agora está surgindo outra, mas só o futuro dirá se realmente será concluída. Perdemos uma oportunidade de criar uma cidade melhor. Pelo menos, que este episódio sirva de exemplo. Temos assuntos importantes vindo à tona, como os acessos ao anel rodoviário, a área da Rede Ferroviária, os distritos industriais, etc. É hora de acordarmos. Planejamento urbano é coisa séria, e não pode ser atropelado por soluções paliativas ou circunstanciais. E precisa, com urgência, do envolvimento de todas as entidades realmente comprometidas com o futuro da cidade. É por aí.
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            E por falar em chuvas, será que todo o Oceano Pacífico cairá sobre nossas cabeças?

11/30/2009 Publicado por betokieling | Crônica Semanal | | Sem comentários ainda

Até aqui tudo bem

            De forma distraída, como quem descasca uma laranja, olhei para o calendário à minha frente. Confesso que quase tive um troço, como dizia a minha avó. Um troço, um chilique, um faniquito. Estou diante da penúltima folhinha do calendário de 2009, e no dia 20! Cruzes! Onde foi parar o ano de 2009, se ele começou ontem?

            Estamos quase no início de 2010, ano de Copa do Mundo, e eu não vi o ano passar. Se passou, deve ter tomado outra estrada, desviando os buracos de Santa Rosa. Eu não vi, confesso.

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            Mas, de todo modo, não sejamos pessimistas. Até aqui tudo bem. Ainda vamos rir do ano de 2009, tão logo ele tenha se ido.

            É assim que as coisas acontecem. Quando tudo estiver dando errado, quando até os credores não largam do seu pé, pense: “Um dia ainda vou rir disso tudo”. Logo o seu desespero passa, lembrando com bom humor das situações difíceis que viveu no passado. É uma fórmula mágica, melhor que muito livro de auto-ajuda, desses que têm a solução para todos os mistérios do universo.

            Pois acho que, se estamos quase no final do ano, podemos dizer, em voz baixa, “até aqui tudo bem”. Em tom de desconfiança, pois ainda restam alguns dias e tudo pode acontecer. Paranóia no melhor estilo.

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            Pois 2010 não será apenas ano de Copa do Mundo, não.

            Caro leitor, o que mais acontecerá de realmente importante? Você tem dois minutos para responder. Ou, como diria o Silvio Santos, responda após o intervalo.

            Ainda não lembrou? O casamento da Camila Pitanga? Um novo Big Brother? A mulher Melão vai virar Jaca? A banda Calypso vai lançar novo CD? Calma, sabemos que fatos como estes são importantíssimos para o desenvolvimento econômico e cultural brasileiro, mas estava apenas tentando lembrar de outro acontecimento importante de 2010.

            Ah, agora sim. Em 2010 teremos eleições presidenciais. Isso mesmo. Teremos campanha, e os personagens serão vários, alguns já conhecidos, como Aécio, Dilma, Serra, Ciro e outros menos cotados. Eles vão entupir nossos ouvidos com promessas e discursos memoráveis.

            Mas, é claro, você pode decidir qual será o fato mais importante do ano. Pode ser a eleição, pode ser a Copa, pode ser a banda Calypso. Tudo depende de variáveis que não estão ao nosso alcance. E, como dizia a minha avó, “gosto não se discute, lamenta-se”.

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            Se o ano passou rapidamente, acalme-se. Ainda temos uma salvação, um último auxílio antes do dia derradeiro. Acredite, ele está chegando! Sempre vem em boa hora, quando já estamos perdendo todas as esperanças. Quando parece que o cansaço, o estresse e o desânimo tomam conta da nossa alma, eis que ele surge no horizonte, provocando uma fantástica reviravolta no nosso estado de espírito.

            Ele surge para nos tirar do atoleiro, devolver nosso sorriso e nossa confiança. Ele garante que chegaremos inteiros a 2010. É o décimo-terceiro!

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                  Ainda temos um mês e alguns dias para aproveitar este ano de 2009, que passa muito veloz diante dos nossos olhos. O tempo não para, e eu não quero ser pessimista. Mas acho que vou eliminar 2009 do meu currículo, ou da minha história pessoal. Não sei o que aconteceu com ele (ou comigo). Esperemos que passe. Afinal, até aqui, tudo bem.

11/19/2009 Publicado por betokieling | Crônica Semanal | | Sem comentários ainda

Hipocrisia pura

 

050PX_JPG            No estado do Paraná os limites de velocidade são de 110 km/h em todas as estradas pavimentadas. Naquelas duplicadas, o limite aumenta para 120 km/h.

            Aqui no nosso Rio Grande, vivemos uma situação de pura simulação relativamente ao trânsito das nossas estradas.

            O limite de velocidade é de 80 km/h, coisa da época da crise de combustível. Em muitos pontos, as placas reduzem o limite para 60 km/h. O que isso significa?

            Façamos o seguinte cálculo. Numa viagem a Porto Alegre, distante 520 quilômetros, você deverá transitar a 80 km/h, encontrando pelo caminho trechos deteriorados, muito movimento, estradas estreitas, e cinco pedágios. É claro que a sua velocidade média será bem menor, algo em torno de 50 a 60 km/h. Isso significa dizer que, para permanecer no limite fixado, a viagem demandará cerca de 10 horas! Isso mesmo. Dez horas para chegar a Porto Alegre, em pleno século XXI.

            Mais ou menos o tempo que os motoristas gastavam na década de 50 do século passado.

            Ora, sabemos que ninguém faz isso. E não estou falando do motorista irresponsável, não. Estou falando do motorista sério, cidadão consciente, que precisa viajar, especialmente a trabalho. Ele está sendo duramente castigado por uma visão atrasada e tacanha do trânsito atual.

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            Aqui chegamos ao ponto.

            Os carros atuais têm melhor motor e maior segurança. E as estradas, de um modo geral, são melhores do que aquelas que existiam há três décadas. Mas o limite continua o mesmo.

            Vivemos, pois, uma simulação, uma hipocrisia geral. Os motoristas fingem que viajam dentro do limite imposto pelos órgãos de trânsito. Já o governo finge que acompanha tudo e não altera as regras porque elas significam estupendas arrecadações em multas.

            Os órgãos de trânsito fingem que fiscalizam, mas na verdade armam armadilhas para os motoristas, a fim de atingir as “metas” de faturamento. Quanto mais gente multada, maior a sensação de que a fiscalização existe.

            Veja o que aconteceu no último feriado.

            Foram cerca de 6.000 multas no Rio Grande do Sul. Se a média dessas multas for de R$ 200,00, teremos um faturamento de R$ 1.200.000,00.

            Nunca foi tão fácil arrecadar. Aliás, os números da arrecadação com multas de trânsito nunca são revelados, já percebeste? Quantos milhões são arrecadados, mensalmente, no Rio Grande do Sul? Ninguém sabe. Acho que eles têm vergonha de tornar público esse assalto ao bolso do cidadão.  

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            Em relação às multas, tenho visto coisas de arrepiar. O cidadão recebe em casa uma notificação de multa. Alguém, que ele nunca viu, aplicou-lhe uma multa. O correto seria a abordagem policial, mas isso não aconteceu.

            Algumas dessas multas são absolutamente estranhas, incompreensíveis. O sujeito recorre administrativamente, sabendo de forma antecipada que seus argumentos não serão aceitos. As instâncias administrativas de recursos de trânsito, ao que tudo indica, também estão inseridas nesse esforço de arrecadação e, simplesmente, negam sumariamente o recurso.

            Ou seja, resta-lhe recorrer à Justiça, num esforço penoso e demorado, a fim de garantir seus direitos básicos de cidadão.  

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            Se existem motoristas irresponsáveis, é porque a fiscalização é ineficiente, certo? Mas se as multas são feitas aos milhares, o trânsito não deveria estar pacificado? Não, o objetivo não é esse. O objetivo é mostrar na TV as tristes cenas dos acidentes, para justificar a fantástica cobrança de multas aplicadas de forma irresponsável. O cenário está montado. E quem paga é o cidadão consciente.

11/16/2009 Publicado por betokieling | Crônica Semanal | | Sem comentários ainda

Morte e vida severina

5351morte            Na segunda-feira última milhares de pessoas se deslocaram aos cemitérios, numa espécie de procissão para homenagear seus mortos. Isso é tão importante na nossa cultura que virou um feriado, para que todos possam fazer o mesmo, e também porque, para muitos, a homenagem implica em longos deslocamentos.

            Acho que em todas as culturas existe (e sempre existiu) essa reverência àqueles que já se foram. Os próximos, é claro. Os distantes eu pouco conheci e, portanto, me são indiferentes. Veja só. Somos capazes de sofrer muito com a morte de um amigo, mas as duzentas mortes de um acidente aéreo são comentadas rapidamente, tipo “que coisa, não?”.

            Somos assim, é verdade. A dor distante não nos aflige, pela simples razão de que já temos as nossas próprias dores.

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            Alguém me disse, sei lá quando, que a maior aula de humildade é um passeio no cemitério. Qualquer passeio, até no dia dos finados.

            Lá encontramos milhares de pessoas que já se foram. Algumas até já esquecidas pelos vivos. Um passeio desses nos dá a exata dimensão da nossa vaidade, da nossa arrogância, do nosso sentimento de superioridade. Um dia toda a nossa petulância será pó. Aliás, antes disso será alimento para os vermes.

            Portanto, caro leitor, quando você estiver numa dessas crises de arrogância, sentindo-se o cara, mais rico, mais forte e mais bonito que todos os outros pobres mortais, o remédio é um passeio no cemitério (pode ser à luz do dia, sim).

            Garanto que a sua crise passa ligeirinho.

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            A criatividade dos nossos antepassados personificou a morte naquela figura esquisita, magrela, vestindo uma manta negra com capuz, e portando uma enorme gadanha. Mais parece um cortador de cana desempregado…

            Há quem explique a figura com o seguinte argumento: na Bíblia, o trigo simboliza a vida, e, portanto, a foice cortando o trigo… Entendeu? Trigo, vida, foice… Não entendeu? Então você já deve estar morto, meu filho.

            Aliás, a figurinha sinistra também aparece nas cartas de tarô. Quando você puxa a carta com aquela imagem, a cartomante olha para você aterrorizada, e exclama: “Meu Deus, como você está pálido!”.

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            Em qualquer lugar do mundo, a morte é o término dessa vida (se você encontrar um lugar onde isso não ocorra, me avise, por favor).

            O que vem depois disso é que depende das inúmeras crenças que existem nesse mundinho nosso. Há quem acredite que o morto viverá no Céu (ou no Inferno). Outros crêem que o finado irá ressuscitar (que exagero!). Há também quem acredita que o morto voltará sob outra forma (uma samambaia, por exemplo). Em alguns povos primitivos, acreditava-se que o pagamento do dízimo garantia um lugarzinho no Céu, veja a que ponto chegamos…

            Existe uma crença generalizada que, após batermos as botas, haverá um encontro com Deus. Isso também faz parte da nossa criatividade. Como não sabemos o que acontecerá depois, inventamos alguma coisa que, pelo menos, garanta que alguém está nos esperando. Essa dor no peito não pode ser o fim de tudo. Compreende, doutor? Doutor, está me ouvindo?! Doutor, que negócio é esse de fazer o sinal da cruz na minha frente?

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             Depois dessa conversa um tanto filosófica, só me resta deixar um conselho. Aproveite a vida, meu caro amigo. Acredite: ela termina. E normalmente termina sem que estejamos com as malas prontas, o que é uma baita sacanagem.

            E lembre-se: se morrer, não dirija.

 

11/05/2009 Publicado por betokieling | Crônica Semanal | | Sem comentários ainda

Esperanças

No passado, Santa Rosa já teve uma usina municipal de asfalto. Ninguém sabe exatamente as razões para o seu desaparecimento. Mas, agora, com o custo astronômico da manutenção da rede asfáltica do município, já há cidadãos sugerindo a sua volta, com o argumento fundamental da economia do dinheiro público. É um tema para debates.

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A proposta de criação do fundo municipal da Cultura foi aprovada por todos os presentes na Conferência realizada na semana passada. A idéia está amadurecendo rapidamente, e isso permitirá uma certa autonomia aos movimentos culturais do município, com um suporte financeiro mínimo, que permite fazer planejamentos. Isso significa uma importante mudança. Em toda a história do município, o setor cultural sempre foi tratado como uma espécie de cereja do bolo. Isto é, é bonitinha, está sempre visível, mas está fora do bolo. Agora, parece que a coisa começa a mudar.

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desmatamento2O Rio Grande do Sul parece mesmo ter perdido o bonde da história. Depois de apresentar números desastrosos em termos de desenvolvimento econômico (a nossa indústria, por exemplo, vem apresentando crescimento zero), está em tramitação na Assembléia Legislativa o projeto de lei nº 154, que prevê a flexibilização da legislação ambiental. O objetivo é facilitar a expansão das empresas de celulose, as quais, aliás, têm financiado as campanhas de alguns deputados. As entidades ambientalistas do Rio Grande estão prevendo cenários dramáticos para o meio ambiente nas próximas décadas, caso o projeto seja aprovado. A propósito, a sociedade não foi ouvida a respeito. Apenas as indústrias foram consultadas. Nossos políticos não são umas gracinhas?

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Mais uma vez, devemos render homenagens à cidade de Passo Fundo, que no passado foi notória pátria do gauchismo, e hoje tornou-se nacionalmente famosa pela sua Jornada de Literatura. Com milhares de visitantes e farta cobertura da imprensa, o evento já rendeu à cidade o título de Capital Nacional da Literatura. É mesmo surpreendente um acontecimento deste porte surgir e se consolidar no interior do Rio Grande, numa cidade que tinha mais vocação para gauderiadas. Além disso, também é espantoso tanto interesse numa época dominada pelo frenesi tecnológico. Em outras palavras, o interesse pelos livros está desmentindo os mais pessimistas. Podemos ter esperanças.

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Muito legal a nova página do Musicanto na internet, com muitas informações e registros históricos do festival. Vale lembrar que estamos a pouco mais de um mês da abertura do festival. A seleção das músicas acontece neste final de semana, e em breve o público poderá ouvi-las na página eletrônica e votar na mais popular. Novidade eletrônica muito útil, que só aproxima as vertentes culturais do mundo contemporâneo. Não há nada de errado nisso, é claro.

10/29/2009 Publicado por betokieling | Crônica Semanal | | Sem comentários ainda

Feira

            Terminada a feira do livro na praça, ficou a promessa e o entusiasmo dos organizadores, que prevêem para 2010 uma feira maior, com o dobro de barracas de livreiros. Isso demonstra que a feira, se não foi espetacular, ficou longe de qualquer decepção.

            O ponto sobre o qual não houve nenhuma divergência foi a praça. Todos aprovaram a ideia. Pois, então, permaneça a feira na Praça da Bandeira, que é o local mais central, mais democrático e mais fervilhante da cidade. Boa escolha, com boa aprovação.

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            A Câmara de Vereadores inaugurou na última segunda-feira o memorial com parte da história do legislativo da cidade. Iniciativa partiu de proposta do vereador Nelci Dani, e deve receber incrementos no futuro.

            Sem dúvida, estávamos diante de um vácuo. Contar a história da cidade sem os importantes registros do legislativo é uma falha clamorosa. É saudável que esses documentos estejam disponíveis ao público.

            Por exemplo, a primeira lei orgânica do município, escrita a punho por Alfredo Karlson, é um documento de valor inestimável.

            Vá conhecê-lo, tchê.

10/23/2009 Publicado por betokieling | Crônica Semanal | | Sem comentários ainda

Família gaudéria

            O documento divulgado dias atrás pelo IBGE, denominado Síntese de Indicadores Sociais, traz algumas informações curiosas sobre o nosso Rio Grande do Sul.

            Por exemplo, a pesquisa diz que 61,5% dos homens gaúchos auxiliam nos afazeres domésticos, enquanto a média brasileira é de apenas 45,3%. No Maranhão, lá no extremo norte, esse índice é de apenas 29%.

            Ficam algumas interrogações. O machão gaúcho está se tornando mais sociável e doméstico, ou tem muito guapo mentindo para os pesquisadores? Se a estatística é verdadeira, estamos diante de uma sensível melhora nas relações familiares, embora a mulher continue com a tradicional sobrecarga.

            Outro dado interessante é que, nos últimos dez anos, entre a gauchada está aumentando o número de família unipessoais (residência com apenas uma pessoa). Já são 14,4% dos gaúchos vivendo sozinhos.

            Também aumenta o número de casais sem filhos (21%), e, é claro, diminui a quantidade de famílias com filhos.

             Mas, por conta das mudanças no mercado do trabalho, a mulher gaúcha está também assumindo um fardo que há algumas décadas não lhe cabia. Já são 35,4% as famílias sob sua responsabilidade. Nesse grupo, aumentam as famílias que dependem do emprego da mulher, e também os casos (mais raros) em que o homem passa a tomar conta da casa. Por isso, não se surpreenda se, em breve, ao perguntar qual o emprego do amigo, ele lhe responda: “do lar”.

            Tudo muda nessa vida…

 

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            Mas a pesquisa também revelou uma informação que derruba um velho orgulho dos gaúchos, o estudo. Sempre louvamos em voz alta a nossa dedicação à escola, mas hoje a coisa não está mais nesses moldes.

            Em relação à média de anos de estudo, já estamos perdendo. No Brasil, a média geral é de 7,1 anos de permanência no colégio. O Rio Grande fica com a média 7. Ou seja, estamos praticamente empatados. Já fomos mais estudiosos.

10/23/2009 Publicado por betokieling | Crônica Semanal | | Sem comentários ainda

Cultura em tempo cibernético

 

livro e computador            Até o domingo você pode visitar a Praça da Bandeira, encontrar amigos e abraçar os livros. Ou encontrar livros e abraçar amigos, tanto faz. A ordem dos tratores não altera a colheita. O importante é que visite a Feira do Livro e marque presença nesse momento importante da vida cultural da cidade.
            Além disso, haverá oficinas, debates e outros papos envolvendo política cultural e os modos de elevar o nível de leitura da população.
            A Feira é uma espécie de sugestão, um estímulo, um convite. O resto acontece na mente de cada leitor. Ou seja, os desdobramentos e resultados de uma feira deste tipo nunca podem ser medidos. São intangíveis, mas ninguém pode negar seus efeitos. O livro, portanto, é uma espécie de semente bem visível, mas a árvore que dela resulta não pode ser medida.
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            Na próxima semana, dias 21 e 22, acontece a primeira Conferência Municipal de Cultura, justamente para tentar traçar diretrizes culturais para a cidade. É um fato inédito. Nunca a cidade pensou sua cultura, seus projetos.
            Até agora, o que vimos foram esforços esparsos, quase individuais, meio desencontrados. Pois chegou a hora de pensar as políticas culturais de forma organizada, com visão de futuro. A conferência é o primeiro passo. Um esforço para que as ações aconteçam de forma harmônica, sobre diretrizes claras.
            E veja que, em tempos de cultura digital, não será uma tarefa muito fácil, não.
 
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            Vivemos uma época de comunicação acelerada, um fluxo de informações que a humanidade jamais tinha visto. Basta lembrar que somos bombardeados por informações via TV, rádio, jornal, revistas, celulares, sites de informação, blogues, cinema, e uma massa de mensagens que encontramos em todos os lugares por onde andamos. Além disso, a internet parece ter reduzido a pó as distâncias e os muros que separavam as diferentes culturas do mundo. Tudo está ao nosso alcance.
            Isso nos dá uma idéia do que hoje é conhecida como a “cibercultura”, uma quantidade absurda de dados disponível para milhões de cidadãos ao redor do globo, o que nos leva a duas conclusões bastante contraditórias.
            Primeiramente, dispomos hoje de informações que poucos seres humanos tiveram ao longo da História. E também vemos os monopólios da informação se desfazerem. O poder que vem da informação está compartilhado.
            Por outro lado, o que esta imensa massa de informações e mensagens vem contribuindo para a melhoria da vida no planeta? O que essa imensidão de mensagens pode contribuir para que a vida seja melhor? Ninguém sabe. Na verdade, estamos apenas engatinhando na solução dessas perguntas.
           
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            Acho qleitoraue vivemos um falso dilema. Seguidamente ouço a conversa de que o computador e os livros são incompatíveis. As novas gerações querem o computador, e afastam-se dos livros, dizem. Não acredito nessa premissa.
            Conheço jovens, na faixa de 15 a 25 anos, que são extremamente hábeis com um computador, e me espanto ao ver esses mesmos jovens procurando livros para leitura, alguns deles verdadeiros calhamaços de 400, 500 páginas.
            Então, o que há de estranho nisso?
            Acontece que muitos jovens já nasceram na era da informática. Computador, para eles, é um eletrodoméstico como qualquer outro. Mas a imaginação é algo que se renova dentro deles. A imaginação jamais envelhece. E a imaginação está nos livros. Essa é a descoberta que eles fazem, e que os adultos de alma velha não conseguem perceber. Por isso mesmo, eles conseguem estabelecer a convivência entre o livro e o computador, de forma tranqüila e sem conflitos. É simples, basta deixar a imaginação trabalhar, entende? E, como dizia o velho Einstein, “a imaginação é mais poderosa que o conhecimento”.  
 

10/17/2009 Publicado por betokieling | Crônica Semanal | | Sem comentários ainda

Espalhe essa ideia

 

Mercedes2            A morte de Mercedes Sosa, no último final de semana, trouxe um pouco de luto também para Santa Rosa. Ela foi a estrela que, após o show realizado no Estádio Municipal, tornou o Musicanto conhecido em todo o país.
            Eram tempos difíceis aqueles. O nome da cantora argentina, na época, estava associado ao sentimento de contestação em relação às ditaduras latino-americanas. Era um ícone, e seus discos vendiam no mundo todo.
            Músicas como “Gracias a la vida” e “Hermanos” são canções que parecem ter se tornado eternas.
            Aqui em Santa Rosa deixou numerosos fãs. E a turma santa-rosense da meia idade certamente nunca esquecerá aquela noite de garoa no estádio Denardin, há mais de vinte anos. São coisas para serem guardadas dentro do peito, assim como as canções que fizeram de Mercedes Sosa um símbolo da América Latina. Para sempre.
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            A turma da ASES está agitadíssima com a organização da Feira do Livro de Santa Rosa, que acontece a partir do próximo dia 15, na Praça da Bandeira.
            A proposta é realizar uma feira nos moldes antigos, isto é, com livros, pipoca, cantoria, bate-papos literários, mesmo correndo riscos com o mau tempo. Enfim, aquela saudável oportunidade para encontrar pessoas e livros.
            Tenho comigo que feira de livros deve ter estas características. Algo bem descontraído, em plena praça, capaz de atrair os amantes da literatura e também o transeunte distraído, aquele que olha e comenta consigo mesmo: “Que mundo fantástico é esse que eu desconheço?”
            Pois você também pode dar a sua contribuição, a mais simples de todas. Comente com seus amigos, seus parentes, com a balconista da farmácia e até com o mecânico do seu carro. Espalhe essa idéia. Você sabe muito bem como isso funciona. Nunca sabemos exatamente o quanto os livros modificam as pessoas, mas temos a certeza de que quem lê jamais será o mesmo de antes. Muitas pessoas já modificaram suas vidas a partir da leitura de um livro.
            Ah, e não esqueça de também visitar a feira, é claro.
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            Sabemos que o Brasil é um país de analfabetos funcionais. Isso significa dizer que muitos milhões já foram alfabetizados, mas não têm o hábito da leitura.
            Aliás, é comum a reclamação de empresários que, ao contratar um novo empregado, descobrem que o sujeito não sabe ler um manual nem escrever uma carta comercial, tornando-se um problema para a empresa. Ou seja, a situação é tão séria que há pessoas que não reconhecem a importância da leitura nem mesmo para a própria sobrevivência.
            Não há como construir um país sem livros. Essa é uma frase antiga, mas repeti-la nunca é demais. A questão da leitura, no Brasil, é um problema da nação, um problema inadiável se é que desejamos levar a sério essa conversa de desenvolvimento futuro.
           
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            Frases para pensar no final de semana:
            A leitura de um bom livro é um diálogo incessante: o livro fala e a alma responde (André Maurois).
            Meus filhos terão computadores, sim, mas antes terão livros. Sem livros, sem leitura, os nossos filhos serão incapazes de escrever – inclusive a sua própria história.
(Bill Gates).
 

10/12/2009 Publicado por betokieling | Crônica Semanal | | Sem comentários ainda