Morte e vida severina
Na segunda-feira última milhares de pessoas se deslocaram aos cemitérios, numa espécie de procissão para homenagear seus mortos. Isso é tão importante na nossa cultura que virou um feriado, para que todos possam fazer o mesmo, e também porque, para muitos, a homenagem implica em longos deslocamentos.
Acho que em todas as culturas existe (e sempre existiu) essa reverência àqueles que já se foram. Os próximos, é claro. Os distantes eu pouco conheci e, portanto, me são indiferentes. Veja só. Somos capazes de sofrer muito com a morte de um amigo, mas as duzentas mortes de um acidente aéreo são comentadas rapidamente, tipo “que coisa, não?”.
Somos assim, é verdade. A dor distante não nos aflige, pela simples razão de que já temos as nossas próprias dores.
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Alguém me disse, sei lá quando, que a maior aula de humildade é um passeio no cemitério. Qualquer passeio, até no dia dos finados.
Lá encontramos milhares de pessoas que já se foram. Algumas até já esquecidas pelos vivos. Um passeio desses nos dá a exata dimensão da nossa vaidade, da nossa arrogância, do nosso sentimento de superioridade. Um dia toda a nossa petulância será pó. Aliás, antes disso será alimento para os vermes.
Portanto, caro leitor, quando você estiver numa dessas crises de arrogância, sentindo-se o cara, mais rico, mais forte e mais bonito que todos os outros pobres mortais, o remédio é um passeio no cemitério (pode ser à luz do dia, sim).
Garanto que a sua crise passa ligeirinho.
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A criatividade dos nossos antepassados personificou a morte naquela figura esquisita, magrela, vestindo uma manta negra com capuz, e portando uma enorme gadanha. Mais parece um cortador de cana desempregado…
Há quem explique a figura com o seguinte argumento: na Bíblia, o trigo simboliza a vida, e, portanto, a foice cortando o trigo… Entendeu? Trigo, vida, foice… Não entendeu? Então você já deve estar morto, meu filho.
Aliás, a figurinha sinistra também aparece nas cartas de tarô. Quando você puxa a carta com aquela imagem, a cartomante olha para você aterrorizada, e exclama: “Meu Deus, como você está pálido!”.
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Em qualquer lugar do mundo, a morte é o término dessa vida (se você encontrar um lugar onde isso não ocorra, me avise, por favor).
O que vem depois disso é que depende das inúmeras crenças que existem nesse mundinho nosso. Há quem acredite que o morto viverá no Céu (ou no Inferno). Outros crêem que o finado irá ressuscitar (que exagero!). Há também quem acredita que o morto voltará sob outra forma (uma samambaia, por exemplo). Em alguns povos primitivos, acreditava-se que o pagamento do dízimo garantia um lugarzinho no Céu, veja a que ponto chegamos…
Existe uma crença generalizada que, após batermos as botas, haverá um encontro com Deus. Isso também faz parte da nossa criatividade. Como não sabemos o que acontecerá depois, inventamos alguma coisa que, pelo menos, garanta que alguém está nos esperando. Essa dor no peito não pode ser o fim de tudo. Compreende, doutor? Doutor, está me ouvindo?! Doutor, que negócio é esse de fazer o sinal da cruz na minha frente?
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Depois dessa conversa um tanto filosófica, só me resta deixar um conselho. Aproveite a vida, meu caro amigo. Acredite: ela termina. E normalmente termina sem que estejamos com as malas prontas, o que é uma baita sacanagem.
E lembre-se: se morrer, não dirija.
Esperanças
No passado, Santa Rosa já teve uma usina municipal de asfalto. Ninguém sabe exatamente as razões para o seu desaparecimento. Mas, agora, com o custo astronômico da manutenção da rede asfáltica do município, já há cidadãos sugerindo a sua volta, com o argumento fundamental da economia do dinheiro público. É um tema para debates.
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A proposta de criação do fundo municipal da Cultura foi aprovada por todos os presentes na Conferência realizada na semana passada. A idéia está amadurecendo rapidamente, e isso permitirá uma certa autonomia aos movimentos culturais do município, com um suporte financeiro mínimo, que permite fazer planejamentos. Isso significa uma importante mudança. Em toda a história do município, o setor cultural sempre foi tratado como uma espécie de cereja do bolo. Isto é, é bonitinha, está sempre visível, mas está fora do bolo. Agora, parece que a coisa começa a mudar.
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O Rio Grande do Sul parece mesmo ter perdido o bonde da história. Depois de apresentar números desastrosos em termos de desenvolvimento econômico (a nossa indústria, por exemplo, vem apresentando crescimento zero), está em tramitação na Assembléia Legislativa o projeto de lei nº 154, que prevê a flexibilização da legislação ambiental. O objetivo é facilitar a expansão das empresas de celulose, as quais, aliás, têm financiado as campanhas de alguns deputados. As entidades ambientalistas do Rio Grande estão prevendo cenários dramáticos para o meio ambiente nas próximas décadas, caso o projeto seja aprovado. A propósito, a sociedade não foi ouvida a respeito. Apenas as indústrias foram consultadas. Nossos políticos não são umas gracinhas?
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Mais uma vez, devemos render homenagens à cidade de Passo Fundo, que no passado foi notória pátria do gauchismo, e hoje tornou-se nacionalmente famosa pela sua Jornada de Literatura. Com milhares de visitantes e farta cobertura da imprensa, o evento já rendeu à cidade o título de Capital Nacional da Literatura. É mesmo surpreendente um acontecimento deste porte surgir e se consolidar no interior do Rio Grande, numa cidade que tinha mais vocação para gauderiadas. Além disso, também é espantoso tanto interesse numa época dominada pelo frenesi tecnológico. Em outras palavras, o interesse pelos livros está desmentindo os mais pessimistas. Podemos ter esperanças.
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Muito legal a nova página do Musicanto na internet, com muitas informações e registros históricos do festival. Vale lembrar que estamos a pouco mais de um mês da abertura do festival. A seleção das músicas acontece neste final de semana, e em breve o público poderá ouvi-las na página eletrônica e votar na mais popular. Novidade eletrônica muito útil, que só aproxima as vertentes culturais do mundo contemporâneo. Não há nada de errado nisso, é claro.
Feira
Terminada a feira do livro na praça, ficou a promessa e o entusiasmo dos organizadores, que prevêem para 2010 uma feira maior, com o dobro de barracas de livreiros. Isso demonstra que a feira, se não foi espetacular, ficou longe de qualquer decepção.
O ponto sobre o qual não houve nenhuma divergência foi a praça. Todos aprovaram a ideia. Pois, então, permaneça a feira na Praça da Bandeira, que é o local mais central, mais democrático e mais fervilhante da cidade. Boa escolha, com boa aprovação.
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A Câmara de Vereadores inaugurou na última segunda-feira o memorial com parte da história do legislativo da cidade. Iniciativa partiu de proposta do vereador Nelci Dani, e deve receber incrementos no futuro.
Sem dúvida, estávamos diante de um vácuo. Contar a história da cidade sem os importantes registros do legislativo é uma falha clamorosa. É saudável que esses documentos estejam disponíveis ao público.
Por exemplo, a primeira lei orgânica do município, escrita a punho por Alfredo Karlson, é um documento de valor inestimável.
Vá conhecê-lo, tchê.
Família gaudéria
O documento divulgado dias atrás pelo IBGE, denominado Síntese de Indicadores Sociais, traz algumas informações curiosas sobre o nosso Rio Grande do Sul.
Por exemplo, a pesquisa diz que 61,5% dos homens gaúchos auxiliam nos afazeres domésticos, enquanto a média brasileira é de apenas 45,3%. No Maranhão, lá no extremo norte, esse índice é de apenas 29%.
Ficam algumas interrogações. O machão gaúcho está se tornando mais sociável e doméstico, ou tem muito guapo mentindo para os pesquisadores? Se a estatística é verdadeira, estamos diante de uma sensível melhora nas relações familiares, embora a mulher continue com a tradicional sobrecarga.
Outro dado interessante é que, nos últimos dez anos, entre a gauchada está aumentando o número de família unipessoais (residência com apenas uma pessoa). Já são 14,4% dos gaúchos vivendo sozinhos.
Também aumenta o número de casais sem filhos (21%), e, é claro, diminui a quantidade de famílias com filhos.
Mas, por conta das mudanças no mercado do trabalho, a mulher gaúcha está também assumindo um fardo que há algumas décadas não lhe cabia. Já são 35,4% as famílias sob sua responsabilidade. Nesse grupo, aumentam as famílias que dependem do emprego da mulher, e também os casos (mais raros) em que o homem passa a tomar conta da casa. Por isso, não se surpreenda se, em breve, ao perguntar qual o emprego do amigo, ele lhe responda: “do lar”.
Tudo muda nessa vida…
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Mas a pesquisa também revelou uma informação que derruba um velho orgulho dos gaúchos, o estudo. Sempre louvamos em voz alta a nossa dedicação à escola, mas hoje a coisa não está mais nesses moldes.
Em relação à média de anos de estudo, já estamos perdendo. No Brasil, a média geral é de 7,1 anos de permanência no colégio. O Rio Grande fica com a média 7. Ou seja, estamos praticamente empatados. Já fomos mais estudiosos.
Cultura em tempo cibernético
Até o domingo você pode visitar a Praça da Bandeira, encontrar amigos e abraçar os livros. Ou encontrar livros e abraçar amigos, tanto faz. A ordem dos tratores não altera a colheita. O importante é que visite a Feira do Livro e marque presença nesse momento importante da vida cultural da cidade.
Além disso, haverá oficinas, debates e outros papos envolvendo política cultural e os modos de elevar o nível de leitura da população.
A Feira é uma espécie de sugestão, um estímulo, um convite. O resto acontece na mente de cada leitor. Ou seja, os desdobramentos e resultados de uma feira deste tipo nunca podem ser medidos. São intangíveis, mas ninguém pode negar seus efeitos. O livro, portanto, é uma espécie de semente bem visível, mas a árvore que dela resulta não pode ser medida.
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Na próxima semana, dias 21 e 22, acontece a primeira Conferência Municipal de Cultura, justamente para tentar traçar diretrizes culturais para a cidade. É um fato inédito. Nunca a cidade pensou sua cultura, seus projetos.
Até agora, o que vimos foram esforços esparsos, quase individuais, meio desencontrados. Pois chegou a hora de pensar as políticas culturais de forma organizada, com visão de futuro. A conferência é o primeiro passo. Um esforço para que as ações aconteçam de forma harmônica, sobre diretrizes claras.
E veja que, em tempos de cultura digital, não será uma tarefa muito fácil, não.
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Vivemos uma época de comunicação acelerada, um fluxo de informações que a humanidade jamais tinha visto. Basta lembrar que somos bombardeados por informações via TV, rádio, jornal, revistas, celulares, sites de informação, blogues, cinema, e uma massa de mensagens que encontramos em todos os lugares por onde andamos. Além disso, a internet parece ter reduzido a pó as distâncias e os muros que separavam as diferentes culturas do mundo. Tudo está ao nosso alcance.
Isso nos dá uma idéia do que hoje é conhecida como a “cibercultura”, uma quantidade absurda de dados disponível para milhões de cidadãos ao redor do globo, o que nos leva a duas conclusões bastante contraditórias.
Primeiramente, dispomos hoje de informações que poucos seres humanos tiveram ao longo da História. E também vemos os monopólios da informação se desfazerem. O poder que vem da informação está compartilhado.
Por outro lado, o que esta imensa massa de informações e mensagens vem contribuindo para a melhoria da vida no planeta? O que essa imensidão de mensagens pode contribuir para que a vida seja melhor? Ninguém sabe. Na verdade, estamos apenas engatinhando na solução dessas perguntas.
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Acho q
ue vivemos um falso dilema. Seguidamente ouço a conversa de que o computador e os livros são incompatíveis. As novas gerações querem o computador, e afastam-se dos livros, dizem. Não acredito nessa premissa.
Conheço jovens, na faixa de 15 a 25 anos, que são extremamente hábeis com um computador, e me espanto ao ver esses mesmos jovens procurando livros para leitura, alguns deles verdadeiros calhamaços de 400, 500 páginas.
Então, o que há de estranho nisso?
Acontece que muitos jovens já nasceram na era da informática. Computador, para eles, é um eletrodoméstico como qualquer outro. Mas a imaginação é algo que se renova dentro deles. A imaginação jamais envelhece. E a imaginação está nos livros. Essa é a descoberta que eles fazem, e que os adultos de alma velha não conseguem perceber. Por isso mesmo, eles conseguem estabelecer a convivência entre o livro e o computador, de forma tranqüila e sem conflitos. É simples, basta deixar a imaginação trabalhar, entende? E, como dizia o velho Einstein, “a imaginação é mais poderosa que o conhecimento”.
Espalhe essa ideia
A morte de Mercedes Sosa, no último final de semana, trouxe um pouco de luto também para Santa Rosa. Ela foi a estrela que, após o show realizado no Estádio Municipal, tornou o Musicanto conhecido em todo o país.
Eram tempos difíceis aqueles. O nome da cantora argentina, na época, estava associado ao sentimento de contestação em relação às ditaduras latino-americanas. Era um ícone, e seus discos vendiam no mundo todo.
Músicas como “Gracias a la vida” e “Hermanos” são canções que parecem ter se tornado eternas.
Aqui em Santa Rosa deixou numerosos fãs. E a turma santa-rosense da meia idade certamente nunca esquecerá aquela noite de garoa no estádio Denardin, há mais de vinte anos. São coisas para serem guardadas dentro do peito, assim como as canções que fizeram de Mercedes Sosa um símbolo da América Latina. Para sempre.
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A turma da ASES está agitadíssima com a organização da Feira do Livro de Santa Rosa, que acontece a partir do próximo dia 15, na Praça da Bandeira.
A proposta é realizar uma feira nos moldes antigos, isto é, com livros, pipoca, cantoria, bate-papos literários, mesmo correndo riscos com o mau tempo. Enfim, aquela saudável oportunidade para encontrar pessoas e livros.
Tenho comigo que feira de livros deve ter estas características. Algo bem descontraído, em plena praça, capaz de atrair os amantes da literatura e também o transeunte distraído, aquele que olha e comenta consigo mesmo: “Que mundo fantástico é esse que eu desconheço?”
Pois você também pode dar a sua contribuição, a mais simples de todas. Comente com seus amigos, seus parentes, com a balconista da farmácia e até com o mecânico do seu carro. Espalhe essa idéia. Você sabe muito bem como isso funciona. Nunca sabemos exatamente o quanto os livros modificam as pessoas, mas temos a certeza de que quem lê jamais será o mesmo de antes. Muitas pessoas já modificaram suas vidas a partir da leitura de um livro.
Ah, e não esqueça de também visitar a feira, é claro.
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Sabemos que o Brasil é um país de analfabetos funcionais. Isso significa dizer que muitos milhões já foram alfabetizados, mas não têm o hábito da leitura.
Aliás, é comum a reclamação de empresários que, ao contratar um novo empregado, descobrem que o sujeito não sabe ler um manual nem escrever uma carta comercial, tornando-se um problema para a empresa. Ou seja, a situação é tão séria que há pessoas que não reconhecem a importância da leitura nem mesmo para a própria sobrevivência.
Não há como construir um país sem livros. Essa é uma frase antiga, mas repeti-la nunca é demais. A questão da leitura, no Brasil, é um problema da nação, um problema inadiável se é que desejamos levar a sério essa conversa de desenvolvimento futuro.
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Frases para pensar no final de semana:
A leitura de um bom livro é um diálogo incessante: o livro fala e a alma responde (André Maurois).
Meus filhos terão computadores, sim, mas antes terão livros. Sem livros, sem leitura, os nossos filhos serão incapazes de escrever – inclusive a sua própria história.
(Bill Gates).
A experiência deu certo
Pois o “Santa Rosa mostra Gramado” terminou em lágrimas. Não, não houve qualquer briga lá no Centro Cívico. O que aconteceu é que o último filme exibido, “Em Teu Nome”, levou o público às lágrimas, e com toda a razão. O filme é bem feito e não há quem resista à emoção. Pessoalmente, acho que foi o ponto culminante do evento, uma espécie de “chave de ouro”.
A narrativa conta parte da vida do jornalista Bona Garcia e seu exílio durante o regime militar. Até o momento o filme só foi exibido em Gramado e Santa Rosa. Comercialmente, apenas em 2010. Um privilégio, portanto, para quem esteve no evento no último sábado.
Alguns atores do filme estiveram em Santa Rosa no sábado e avaliaram positivamente a reação emocionada do público. Era o resultado que esperavam.
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Durante a mostra, que teve um total de 13 filmes, o Centro Cívico mostrou alguns problemas com o áudio. Ficou a promessa de que o equipamento de som do local será trocado em breve.
A Secretaria de Cultura tem, agora, duas prioridades: o som e as cadeiras do Centro Cívico. O secretário Ângelo Zenni garante que tudo será providenciado no momento devido, ou seja, o mais rápido possível.
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Passado o evento, ficaram algumas certezas entre os organizadores. A experiência surpreendeu a todos. É um primeiro passo, sem dúvida, mas um passo importante, porque Santa Rosa entrou no circuito do cinema gaúcho e brasileiro. E já existem planos para a segunda edição, no ano que vem.
Aos apreciadores do cinema, nada mais gratificante do que bater papo com atores e diretores, gente que vive o exaustivo trabalho de realizar um filme. Evidentemente, o trabalho cinematográfico envolve um público específico, que pela primeira vez teve acesso aos profissionais da área aqui na cidade.
Para o público em geral, mais afeto à TV, também houve momentos de tietagem, envolvendo em particular os atores Anderson Muller e Marcos Breda. A força das novelas da Globo é incontestável.
Ou seja, teve assunto para todos os gostos. Só ficou sem assunto quem não esteve lá.
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E, a partir de hoje, Santa Rosa já vive o Encontro de Hortigranjeiros, outro evento do nosso calendário que está merecendo um destaque maior em nível de Rio Grande.
A impressão que se tem é que o Encontro vem marcando, ao longo dos anos, uma gradativa modificação no padrão econômico da região. Já fomos, exclusivamente, a terra da soja. Hoje, porém, olhando em volta, nos deparamos com produção de leite, de suínos, erva-mate, de cítricos e hortaliças, num quadro que não deixa dúvidas. O nosso produtor primário está buscando alternativas
O Encontro de Hortigranjeiros tem papel fundamental nessa mudança. Aliás, melhor dizendo, nessa excelente mudança. Os tempos da monocultura estão ficando para trás, embora lentamente. Ainda bem.
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É impressão minha, ou já não se faz mais primavera como antigamente? Vamos entrar em outubro com frio? Que loucura é essa, São Pedro, padroeiro gaúcho?
Alguns flashes do Santa Rosa Mostra Gramado
Fotos de Edison Vara







Cinema às pampas
Estamos vivendo o primeiro “Santa Rosa mostra Gramado”, uma overdose de cinema no Centro Cívico, com entrada franca e extensa programação. Para quem aprecia a sétima arte, um banquete saboroso e com entrada franca.
O interessante, nisso tudo, é o intercâmbio que se estabelece entre as cidades de Santa Rosa e Gramado, lá na serra. Só mesmo a arte poderia produzir algo semelhante. Uma troca de experiências cujos resultados, para a nossa Santa Rosa, só poderemos dimensionar no futuro.
Mas a primeira edição do evento acontece aos trancos e barrancos. Houve até proposta de adiamento, mas o negócio, segundo os organizadores, é botar o bloco na rua. O projeto de apoio do governo estadual, via Lei da Cultura, travou na já conhecida lentidão (quase inanição) do Conselho Estadual de Cultura. Assim, a mostra acontece com o patrocínio da Câmara de Vereadores de Santa Rosa, e com a mão-de-obra da turma da ONG Cidade Interativa e da Secretaria Municipal de Cultura.
Para a próxima edição, talvez tenhamos patrocínio do Estado. Talvez.
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A mostra também é a primeira iniciativa de interiorização do cinema aqui na região, pelo menos neste formato. Sabemos que o cinema (gaúcho e brasileiro) vive um bom momento, mas os grandes eventos, aqui no Estado, sempre estiveram restritos ao público de Porto Alegre e, é claro, de Gramado.
Estamos longe demais das capitais, é isso.
Aliás, o Festival de Gramado é um exemplo de ganhos espetaculares para o turismo da cidade. É possível que, no futuro, Santa Rosa colha bons frutos nesta área. Afinal, sempre ouvimos aquela conversa de que a cidade tem vocação para eventos. Eis aí mais uma oportunidade.
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A experiência, porém, é inédita. Estamos habituados a eventos locais (com raros casos de alcance estadual ou nacional), em que a estrutura é montada a partir da visão local. Ou seja, aprendemos fazendo, e acabamos nos reduzindo a áreas restritas de atuação. Até a Fenasoja, nosso maior cartão postal, não tem o alcance que sempre desejamos.
Por isso, esta parceria da mostra de cinema, trazendo para cá o know-how acumulado pela cidade de Gramado, pode significar um atalho, uma forma de pular etapas. Afinal, Gramado já faz o seu festival desde 1973. Tem uma longa caminhada e, portanto, muito a nos transmitir.
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Sendo o cinema uma arte que seduz multidões (tem a concorrência da TV e da Internet, sabemos disso), é bem possível que a mostra em andamento estimule, também nesta região de fronteira, o surgimento de novas produções (curtas, documentários, etc).
A forma pouco importa, o importante é que as produções aconteçam. E sabemos que tem gente disposta a aventurar-se nesse terreno fascinante. Um empurrãozinho e — pimba! — despontam os produtores, diretores, roteiristas, e toda essa gama de gente que constrói um filme.
O cinema é uma produção coletiva. Uma música pode ser composta por um indivíduo. Um livro pode ser escrito por uma única pessoa. Mas um filme, jamais. Ele é uma construção, um edifício erguido por um grupo numeroso, é quase uma experiência existencial, desde a idéia primeira até a última edição.
Tchê, será que não é isso que torna o cinema tão envolvente?
SANTA ROSA mostra GRAMADO
Pois é. Mesmo de forma um pouco apressada, a data do evento foi mantida.
De quinta a domingo desta semana, no Centro Cívico, acontece a Mostra de Cinema que trará a Santa Rosa diversos filmes que fizeram sucesso no Festival de Gramado. Serão seis longas e seis curtas, em programação diária de manhã à noite. As tardes estão reservadas para debates e seminários.
Os maiores destaques são os filmes CORUMBIARA, EM TEU NOME, NETTO E O DOMADOR DE CAVALOS e QUASE UM TANGO.
No dia 24 (quinta), pela manhã, teremos o filme Netto e o Domador de Cavalos, de Tabajara Ruas. Às 17 horas, acontece o seminário “Alternativas Culturais Municipais”. Às 20 horas, o curta “Mapa Mundi”, seguido do longa “Quase um Tango”.
No dia 25 (sexta), pela manhã, o filme “Valsa para Bruno Stein”. Às 18 horas, show com artistas da terra e às 20 horas, o curta “Invasão de Alegrete” e o longa “Em teu nome”.
No dia 26 (sábado), às 10 horas, o filme “Anahy de Las Misiones” e o documentário “Eco do Sapucay” às 15 horas. Novo show às 18 horas e à noite, o curta “De volta ao quarto 666″ e o longa “Corumbiara”.
Nota: a entrada é franca.
